169 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O submundo dos negócios entre o poder econômico e a herança bolsonarista ganhou um novo e escandaloso capítulo. Uma empresa diretamente ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, adquiriu 90% de um projeto de energia eólica pertencente a Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro. O pagamento? Um luxuoso apartamento de R$ 50 milhões em São Paulo, que meses depois foi revendido por Faria com um lucro de R$ 4 milhões. A transação, marcada por "contratos de gaveta" e falta de transparência, acendeu o alerta das autoridades de controle financeiro.

Edifício onde fica o imóvel de R$ 50 milhões cedido a Fábio Faria pela empresa de Vorcaro
Imagem: Pilar Homes/Divulgação
O que torna o negócio ainda mais suspeito é a inviabilidade técnica do projeto eólico localizado no Rio Grande do Norte. Especialistas e relatórios do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmam que não há capacidade na rede elétrica para escoar a energia daquela região, e não há previsão de obras para resolver o gargalo. Na prática, Vorcaro pagou uma fortuna por um empreendimento que não pode funcionar. Antes de fechar com o banqueiro, Faria tentou vender o projeto para diversos investidores do setor, mas todos recusaram a oferta devido à óbvia falta de retorno comercial.
A empresa utilizada para a compra foi a Super Empreendimentos, a mesma que a Procuradoria-Geral da República (PGR) aponta como instrumento para desviar patrimônio do Banco Master em benefício de Vorcaro. A Super, que já adquiriu mais de R$ 300 milhões em imóveis de luxo nos últimos anos, era dirigida por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e alvo recente de prisão na Operação Compliance Zero. Apesar da magnitude do negócio, após dois anos, a mudança societária sequer foi registrada na Junta Comercial ou na Receita Federal, permanecendo escondida do público.
Pela legislação, Fábio Faria ainda é considerado uma Pessoa Politicamente Exposta (PEP), o que exige "especial atenção" do Coaf para evitar crimes de lavagem de dinheiro ou corrupção. O fato de um ex-ministro receber um imóvel de R$ 50 milhões como pagamento por um projeto sem viabilidade, vindo de uma empresa investigada por fraude bancária, desenha um cenário de extrema gravidade. Enquanto o ex-ministro alega que o negócio é estritamente privado, a obscuridade do contrato e a falta de avanço nas obras reforçam a tese de que o projeto eólico pode ter servido apenas como fachada para a transferência de valores.

A Super Empreendimentos é alimentada pelo fundo Termópilas, suspeito de participar das fraudes que levaram à liquidação do Banco Master em novembro de 2025. O repasse de R$ 1,6 bilhão para a Super levanta dúvidas sobre a origem do dinheiro usado para presentear o aliado de Bolsonaro. O histórico da empresa inclui até a doação de apartamentos milionários para acompanhantes de luxo, mostrando que a Super funciona como uma espécie de "caixa-geral" para os interesses pessoais de Vorcaro e seus contatos políticos.
Este caso escancara as relações perigosas entre o mercado financeiro e a cúpula do governo anterior, onde o patrimônio público e as concessões de energia parecem ter se transformado em moedas de troca para enriquecimento ilícito. Para o campo progressista, a investigação deste "contrato de gaveta" é fundamental para mostrar como a estrutura bolsonarista continua operando nas sombras, drenando recursos de instituições financeiras para sustentar o luxo de seus integrantes. A justiça deve rastrear cada centavo dessa operação para garantir que o setor de energia renovável não seja usado como lavanderia para o crime de colarinho branco.
Com informações do UOL
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