532 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A sanha conservadora da cúpula da Igreja Católica em São Paulo está cobrando um preço cruel dos mais vulneráveis. Desde que o arcebispo Dom Odilo Scherer proibiu o padre Júlio Lancellotti de utilizar suas redes sociais, em dezembro de 2025, as doações para a Pastoral de Rua despencaram. Voluntários relatam uma queda superior a 20% na arrecadação de itens básicos de higiene e alimentos, afetando diretamente o Centro Comunitário Santa Dulce dos Pobres. O silenciamento forçado do pároco, que usava sua visibilidade digital para mobilizar ajuda, é um ataque direto à sobrevivência de quem depende de um prato de comida e de dignidade nas ruas da capital paulista.
O impacto da censura imposta pela Arquidiocese é visível nas prateleiras vazias do centro comunitário, que atende até 500 pessoas por mês. Itens como absorventes, fraldas e desodorantes, que chegavam em abundância através das campanhas digitais do padre, sumiram. Enquanto o bolsonarismo e seus aliados na política tentam criminalizar a pobreza, a própria estrutura da Igreja parece ceder a pressões externas, isolando um líder que dedica a vida aos excluídos. Sem a vitrine das redes, a rede de solidariedade que vinha de outros estados para apoiar a obra na Mooca foi drasticamente enfraquecida, deixando a paróquia sem recursos para manter serviços essenciais.
A decisão autoritária de Dom Odilo ocorre em um contexto de ataques coordenados pela extrema-direita. Em novembro de 2025, o deputado federal Junio Amaral (PL-MG), representante fiel da bancada do ódio, protocolou denúncias contra o padre Júlio no Vaticano e na Embaixada da Santa Sé. É evidente que a proibição do uso de redes sociais não é uma medida administrativa banal, mas uma capitulação da Arquidiocese diante da perseguição política promovida por setores que não toleram a defesa dos direitos humanos. Ao calar o padre, a Igreja acaba por dar voz àqueles que desejam o desaparecimento social das pessoas em situação de rua.
A comunidade da Paróquia São Miguel Arcanjo não assiste à injustiça de braços cruzados. Fiéis já reuniram mais de mil assinaturas em um abaixo-assinado que será enviado diretamente ao Papa Francisco, denunciando o cerceamento do trabalho de Lancellotti e a recusa de Dom Odilo em estabelecer um diálogo com a comunidade. Os voluntários criticam a postura da Arquidiocese, que parece mais preocupada com formalidades burocráticas do que com a fome de quem bate à porta da igreja. Para eles, a medida punitiva ignora o caráter missionário da internet e trata a caridade como um problema de imagem institucional.
O padre Júlio, em sinal de obediência rígida, abandonou completamente suas contas digitais desde a imposição da ordem. No entanto, o custo dessa obediência recai sobre as costas dos pobres. Advogados e assistentes sociais que atuam na pastoral ressaltam que o alvo da Arquidiocese e dos ataques bolsonaristas não é apenas a figura do padre, mas a existência de um porto seguro para os desamparados. Retirar a voz digital de quem defende os miseráveis é uma forma de tornar o sofrimento invisível novamente, servindo aos interesses de quem quer higienizar as cidades à base de violência e descaso.
A resistência dos fiéis agora foca na esperança de que o Vaticano, sob a liderança do Papa Francisco — conhecido por sua defesa dos pobres —, reveja a decisão arbitrária de Dom Odilo Scherer. Enquanto a solução não vem, o Centro Santa Dulce dos Pobres luta para manter o café da manhã diário e os serviços de orientação jurídica e psicológica. O Brasil assiste, indignado, a uma tentativa de asfixiar uma das obras sociais mais importantes do país por pura pressão política de setores reacionários que preferem o silêncio da morte à voz da justiça social.
Com informações do DCM
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