121 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A irresponsabilidade característica do bolsonarismo produziu mais uma tragédia anunciada em Brasília. O deputado Nikolas Ferreira, em busca de palanque e autopromoção, liderou uma caminhada que ignorou alertas meteorológicos graves, resultando em dezenas de pessoas feridas pela queda de um raio. O incidente deixou 42 vítimas em estado estável e outras 30 encaminhadas a hospitais, sendo que oito pessoas apresentaram quadro grave com queimaduras e exaustão. É o retrato de um movimento que, historicamente, despreza a ciência e as orientações técnicas, colocando a vida de seus próprios seguidores em risco em nome de uma estética de mobilização permanente.
O cenário de perigo já era conhecido desde a sexta-feira anterior, quando o Instituto Nacional de Meteorologia emitiu um alerta laranja para tempestades e descargas elétricas no Distrito Federal. Mesmo com o risco explícito, os organizadores mantiveram a multidão em campo aberto, cercada por estruturas metálicas elevadas, como guindastes e grades, que serviram como pontos de atração para o raio. A descarga atingiu justamente um guindaste que sustentava uma bandeira, provocando pânico e correria. A rapidez do Corpo de Bombeiros evitou um desastre ainda maior, mas não apaga a negligência de quem convocou o evento sob condições climáticas adversas.
Enquanto apoiadores eram socorridos e levados em macas, a postura das lideranças no palco foi de um cinismo assustador. Nikolas Ferreira e outros parlamentares presentes, como Bia Kicis, priorizaram ataques institucionais e pautas eleitorais em seus discursos, omitindo-se sobre o estado de saúde das pessoas que acabavam de ser atingidas. Esse comportamento reforça a lógica de que, para essa ala da política, os indivíduos são meros figurantes descartáveis em um projeto de poder. A continuidade do ato, mesmo sob tempestade, foi uma decisão consciente de lideranças que preferiram o espetáculo à segurança coletiva.
A legitimação dessa mobilização perigosa também contou com o apoio institucional de importantes entidades do setor produtivo de Minas Gerais. Federações como FIEMG, Fecomércio MG, FAEMG e outras associações empresariais divulgaram notas de apoio ao movimento, conferindo uma falsa aura de civismo a um ato que desrespeitava protocolos básicos de segurança. Ao endossarem grandes aglomerações sem exigir garantias mínimas de proteção e ignorando os alertas climáticos oficiais, essas organizações tornaram-se cúmplices morais de um evento que transformou o direito de manifestação em uma exposição gratuita ao perigo de morte.
Eventos com descargas elétricas são fenômenos previsíveis e monitorados, e as normas de segurança são taxativas: evitar áreas abertas e estruturas metálicas. Ignorar tais parâmetros é transformar um fenômeno natural em um desastre provocado por má gestão política. A cena de famílias desesperadas e equipes médicas sobrecarregadas contrasta violentamente com o discurso de "liberdade" pregado pelos organizadores. O que se viu em Brasília foi o resultado direto de como o desprezo por dados técnicos e a busca desenfreada por engajamento podem ferir e traumatizar cidadãos que acreditaram em líderes despreparados.
Agora, resta saber qual será a responsabilização legal e administrativa para quem incentivou a permanência da multidão sob risco iminente. No plano ético, a resposta é evidente: o bolsonarismo novamente mostrou que não possui compromisso com a vida, nem mesmo com a de quem os apoia. A tragédia em Brasília não foi um acidente fortuito, mas a consequência lógica de uma cultura política que coloca o fanatismo e a imagem acima de qualquer protocolo de segurança ou humanidade. O país precisa superar essa fase em que o negacionismo, seja ele vacinal ou meteorológico, produz vítimas reais nos hospitais.
Assista ao vídeo do momento em que o raio atingiu os bolsonaristas:
Com informações do DCM
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