201 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A estrutura política da família de Hugo Motta enfrenta um momento de grave desgaste com a abertura de um inquérito civil pelo Ministério Público da Paraíba. O alvo é o programa PAI, principal vitrine eleitoral do prefeito Nabor Wanderley, pai do atual presidente da Câmara. A investigação surge para apurar denúncias gravíssimas de que a prefeitura estaria financiando o projeto através de "descontos compulsórios" nos contracheques de servidores contratados. Na prática, o governo estaria retirando dinheiro de trabalhadores humildes, sem base legal, para sustentar uma política assistencialista que serve de palanque para o clã Motta.
As suspeitas não param nos salários dos servidores. Há fortes indícios de que verbas federais destinadas ao SUAS (Sistema Único de Assistência Social) estejam sendo desviadas para bancar o Cartão PAI, que paga R$ 130 mensais a famílias locais. Se confirmada, a manobra configura desvio de finalidade e crime contra o erário federal, o que já provocou o acionamento do Ministério Público Federal. É o velho modo de operar de certas oligarquias nordestinas: usar o recurso público — muitas vezes vindo da União — para criar dependência eleitoral e promover figuras políticas que agora miram cargos ainda maiores, como o Senado.
A defesa da gestão municipal, feita pelo secretário de Saúde, tenta minimizar o escândalo alegando que os descontos de 1,5% nos vencimentos são "facultativos". No entanto, o relato que chegou aos promotores fala em uma pressão institucional que torna a "anuência" apenas uma formalidade para manter o emprego. O promotor Caio Terceiro Neto já solicitou uma varredura nos contratos e contracheques dos últimos seis meses para verificar se a prefeitura transformou o salário do servidor em fonte de financiamento de propaganda política mascarada de assistência social.
O caso ganha contornos de urgência institucional, já que o programa PAI é o eixo central da narrativa de "boa gestão" que Nabor Wanderley tenta exportar para o restante da Paraíba. Enquanto Hugo Motta articula sua influência em Brasília, o alicerce de seu poder no interior paraibano balança com acusações de falta de transparência orçamentária e uso indevido de recursos públicos. A denúncia anônima aponta que a prefeitura de Patos pode ter criado um sistema de autofinanciamento irregular que sangra os cofres federais e o bolso dos funcionários para manter o brilho artificial de sua vitrine.
Para quem repudia o bolsonarismo e suas práticas de aparelhamento do Estado, as semelhanças com as famigeradas "rachadinhas" e o uso eleitoreiro de auxílios são evidentes. A tentativa de Nabor Wanderley de posar como gestor referência na primeira infância esbarra agora na lupa do Ministério Público, que busca entender como um cartão de apenas R$ 130 pode estar sendo usado para justificar movimentações financeiras nebulosas. O clã, que já se sente dono do estado, terá que explicar à justiça por que a conta da sua "generosidade" está sendo paga por quem menos pode e com dinheiro que deveria ter outro destino.
O desfecho desta investigação pode ser o fim da linha para as pretensões eleitorais da família Motta neste ano. Se o MPPB e o MPF comprovarem o desvio de finalidade, a prefeitura de Patos deixará de ser um exemplo para se tornar um estudo de caso sobre como a velha política se recicla através de programas sociais de fachada. O povo de Patos e os servidores prejudicados aguardam que o rigor da lei prevaleça sobre a influência política de quem hoje comanda o Congresso Nacional, garantindo que o dinheiro da assistência social não sirva para alimentar projetos de poder dinásticos.
Com informações do DCM
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