738 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O tabuleiro político para 2026 sofreu um abalo sísmico na noite desta terça-feira com a filiação surpresa de Ronaldo Caiado ao PSD de Gilberto Kassab. O governador de Goiás abandonou o União Brasil após meses de fritura interna e da tentativa de Ciro Nogueira de rifar sua candidatura em favor dos interesses da família Bolsonaro. Ao se juntar aos governadores Eduardo Leite e Ratinho Júnior, Caiado consolida um bloco de centro-direita que rejeita a tutela do clã Bolsonaro e se apresenta como uma alternativa viável, isolando a candidatura de Flávio Bolsonaro, que assiste ao derretimento de sua base enquanto viaja pelo exterior com dinheiro público.
O movimento de Kassab foi cirúrgico e deixou o bolsonarismo em estado de pânico. O anúncio ocorreu no exato momento em que Flávio Bolsonaro tentava angariar apoio internacional em Israel, destilando ataques sórdidos e mentirosos contra o Presidente Lula para inflamar sua base radical. A manobra forçou o filho "01" do ex-presidente a antecipar seu retorno ao Brasil para tentar conter a debandada de aliados e a resistência crescente do setor produtivo e da Faria Lima. O desespero da extrema-direita é evidente: sem o controle dos partidos de centro, a candidatura da família Bolsonaro corre o risco de virar um projeto isolado e sem musculatura política.
Enquanto a direita se despedaça em brigas por protagonismo, Caiado adotou um discurso de "desprendimento", afirmando que o grupo de governadores do PSD apoiará quem se mostrar mais forte nas pesquisas. Essa estratégia é um golpe direto na arrogância dos Bolsonaro, que acreditavam deter o monopólio da oposição. A saída de Caiado também expõe a fragilidade do União Brasil sob a influência do PP de Ciro Nogueira, que tentou transformar o partido em uma garupa para o projeto pessoal de Flávio. Agora, o PSD torna-se o principal polo de aglutinação de forças que buscam distância do radicalismo golpista que levou o país ao abismo.
O isolamento de Flávio Bolsonaro é alimentado ainda por rusgas internas em sua própria família, onde a madrasta Michelle Bolsonaro e líderes como Silas Malafaia ainda não digeriram sua indicação feita pelo pai, Jair Bolsonaro, de dentro da cadeia. Tentando compensar a falta de apoio doméstico, Flávio usou o parlamento israelense para atacar Lula com calúnias sobre antissemitismo, uma estratégia desesperada de quem vê sua pré-candidatura ser rejeitada até por setores moderados da própria direita. A servilidade de Flávio aos interesses de Donald Trump e sua defesa de incursões armadas na região apenas reforçam sua imagem de radical instável perante o eleitorado.
A volta antecipada de Flávio ao Brasil revela que o "quintal" da oposição está em chamas. Ele terá que lidar com o fato de que grandes caciques políticos, como Kassab, preferem investir em gestores como Tarcísio de Freitas ou no novo trio de presidenciáveis do PSD do que carregar o fardo de um sobrenome manchado por escândalos e tentativas de golpe. A direita que se dizia unida agora mostra sua verdadeira face: um amontoado de interesses conflitantes onde o projeto de poder pessoal dos Bolsonaro já não é mais a única opção, abrindo espaço para um debate mais racional e menos pautado pelo ódio.
O Brasil assiste ao fortalecimento de um campo político que, embora opositor ao governo atual, parece entender que o futuro do país não pode ser decidido por ordens vindas de celas ou por discursos de ódio no exterior. O fortalecimento de Lula nas pesquisas e o avanço da economia colocam a oposição em uma encruzilhada: ou se renovam ou serão engolidos pela própria incapacidade de união. Com Caiado no PSD, o cenário para 2026 começa a ganhar contornos de uma disputa onde a civilidade pode, finalmente, vencer o fanatismo que marcou os últimos anos da política nacional.
Assista ao vídeo:
Vivo hoje um importante momento na minha trajetória. Ao lado dos governadores Ratinho Jr e Eduardo Leite, estou sendo muito bem recebido no PSD, onde assino minha nova filiação partidária.
— Ronaldo Caiado (@ronaldocaiado) January 28, 2026
Sou grato ao União Brasil, onde construí uma trajetória de coerência e defesa do país.… pic.twitter.com/xpBmqw3u74