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O clã Bolsonaro segue demonstrando que a lealdade política é um conceito inexistente quando o assunto é a manutenção de seus próprios privilégios. O ex-vereador Carlos Bolsonaro, conhecido como o articulador do ódio nas redes, elevou o tom da chantagem contra o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello. Em busca de uma vaga ao Senado em 2026, Carluxo ameaçou romper com o próprio partido, o PL, para se aliar ao PSD de Gilberto Kassab, grupo que os bolsonaristas costumam atacar publicamente, evidenciando um pragmatismo oportunista e desesperado.
Em um movimento que beira o ridículo, Carlos Bolsonaro telefonou para o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, pedindo desculpas por ofensas proferidas no passado. O objetivo da "redenção" súbita é garantir um palanque na chapa de Rodrigues, que deve disputar o governo catarinense contra o atual aliado de Carlos, Jorginho Mello. O "02" fez questão de esfregar o diálogo na cara do governador, usando a possível traição como ferramenta de pressão para garantir que sua candidatura seja prioridade absoluta, ignorando qualquer projeto coletivo do campo da direita.
A situação cria um nó tático e ético dentro do PL catarinense. Enquanto Jorginho Mello tenta equilibrar as ambições da família Bolsonaro com o desejo de manter a deputada Caroline De Toni na chapa, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, prefere uma aliança com o experiente Esperidião Amin. No meio desse fogo cruzado de vaidades, Carlos Bolsonaro mostra que está disposto a pular do barco e abraçar adversários históricos desde que isso garanta o seu foro privilegiado no Congresso Nacional a partir de 2027.
O gesto de Carlos foi recebido com desconfiança e ironia por lideranças nacionais do PL, que enxergam na ameaça um blefe estratégico para subjugar o governador Jorginho Mello. Contudo, a movimentação expõe a fragilidade das alianças bolsonaristas, que se sustentam apenas sob a lógica da conveniência pessoal. Ao flertar com o PSD de Kassab — figura central do chamado "centrão" que o bolsonarismo jura combater —, Carlos Bolsonaro desmascara, mais uma vez, a hipocrisia de um discurso que cai por terra diante da sede de poder.
Para o prefeito João Rodrigues, a adesão de um nome como o de Carlos Bolsonaro é vista apenas sob a ótica da transferência de votos da base radical, mas o custo político de acolher alguém que acaba de ameaçar o próprio aliado é alto. Santa Catarina, estado que se tornou o principal reduto da extrema-direita, assiste agora a um espetáculo de rasteiras e intrigas familiares que pouco dizem respeito aos problemas reais da população. O "clã" parece mais preocupado em garantir sobrevivência política do que em qualquer compromisso com o estado.
O desfecho dessa queda de braço definirá o nível de submissão do PL aos mandos e desmandos da prole de Jair Bolsonaro. Enquanto o governo Lula foca em investimentos estruturais e no diálogo institucional para fortalecer o pacto federativo, a oposição catarinense mergulha em uma guerra de egos que pode implodir sua hegemonia no estado. A ameaça de romper com Jorginho Mello é apenas o capítulo mais recente da trajetória de uma família que utiliza a política como extensão de seus negócios particulares e vinganças pessoais.
Com informações do DCM
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