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A tentativa desesperada da extrema-direita e de setores da mídia em desgastar as instituições democráticas ganhou um novo capítulo de intriga dentro do Supremo Tribunal Federal. Ministros da Corte manifestaram forte desconforto com a suspeita de que Dias Toffoli teria gravado clandestinamente a sessão secreta da última quinta-feira (12), momento em que sua saída da relatoria do caso Banco Master foi selada. A desconfiança explodiu após o site Poder360 publicar diálogos literais da reunião, com trechos que, curiosamente, pareciam selecionados para vitimizar Toffoli e blindar sua imagem contra as investidas da Polícia Federal.
Embora Toffoli negue veementemente o ato e tente transferir a responsabilidade para funcionários da informática, o clima entre os magistrados é de absoluta perplexidade. O vazamento expôs as vísceras de uma reunião que deveria ser protegida pelo sigilo, revelando um "forte tom político" focado na autopreservação. Enquanto o governo Lula trabalha para manter a harmonia entre os poderes, essa crise interna ameaça a confiança mútua entre os juízes, especialmente porque os diálogos mostram um tribunal preocupado em se defender do que Gilmar Mendes chamou de "revide" da Polícia Federal contra decisões que contrariaram a instituição.
Os relatos publicados mostram uma Corte dividida entre o apoio corporativo e a necessidade de proteger a institucionalidade. Cármen Lúcia, sempre atenta à imagem do STF perante a sociedade, defendeu o afastamento para evitar danos maiores à Corte. Por outro lado, Luiz Fux chegou a evocar "fé pública" na palavra de Toffoli, enquanto Nunes Marques aproveitou o momento para disparar críticas ao ministro Fachin e à atuação da PF. Essa cacofonia de opiniões, agora pública, mostra como a cúpula do Judiciário se movimenta sob pressão, tentando equilibrar a ética com a sobrevivência política de seus membros.
O repúdio ao bolsonarismo e às suas táticas de espionagem e gravação ilegal — marcas registradas da prole de Bolsonaro e seus aliados — agora parece ecoar ironicamente dentro do próprio Supremo. O fato de ministros como André Mendonça e Cristiano Zanin terem saído em defesa da inexistência de "relação íntima" entre Toffoli e os investigados reforça a tese de que havia um esforço coletivo para evitar a declaração de suspeição. Contudo, o vazamento seletivo dessas falas criou um ambiente de "salve-se quem puder", onde a transparência forçada acabou gerando mais desconfiança do que esclarecimento.
A saída de Toffoli da relatoria, que deveria ser um passo para pacificar o caso Master, acabou se tornando o estopim para uma crise de espionagem interna. A análise fria dos fatos sugere que a pessoa responsável pela gravação buscou criar uma narrativa de que Toffoli é alvo de uma perseguição injusta, ignorando os graves indícios que cercam o Banco Master. Para o campo progressista, fica o alerta: o Judiciário não pode se transformar em um campo de batalha de gravações escondidas, sob o risco de paralisar as investigações que realmente interessam ao país e ao combate à corrupção financeira.
O desfecho desse episódio ainda é incerto, mas a maioria dos ministros concorda que o afastamento de Toffoli era a única saída para estancar o sangramento da Corte. Agora, resta saber se a Polícia Federal e os novos relatores terão a liberdade necessária para investigar sem serem intimidados por movimentos de "autopreservação" ou vazamentos estratégicos. A democracia brasileira exige um Supremo Tribunal Federal transparente, mas também coeso e imune às práticas obscuras que tanto criticamos no governo anterior. A verdade sobre quem apertou o botão de "gravar" pode definir o futuro da harmonia interna do palácio de Oscar Niemeyer.
Com informações do DCM
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