291 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A hipocrisia do ecossistema bolsonarista não conhece limites e utiliza a indignação seletiva como uma cortina de fumaça para esconder a entrega do país ao sistema financeiro. Enquanto a militância extremista se mobiliza contra o Carnaval e a cultura popular, acusando escolas de samba de serem uma "ameaça à democracia", os verdadeiros perigos institucionais brindavam com champanhe em mansões paradisíacas no sul da Bahia. Esses encontros discretos entre banqueiros e altas patentes do governo Bolsonaro revelam que o discurso "antissistema" era apenas uma isca para o eleitorado, enquanto as portas do Estado permaneciam escancaradas para negociatas bilionárias.
No submundo do governo anterior, o crédito consignado e a modelagem de fundos públicos tornaram-se terrenos férteis para o crescimento acelerado de bancos médios sob um ambiente regulatório suspeitamente favorável. O "sistema", que Bolsonaro prometia combater, nunca esteve tão confortável e próximo do poder, operando em festas regadas a luxo onde decisões que impactam milhões de brasileiros eram costuradas entre sorrisos e influências. O contraste é gritante: uma fantasia na Sapucaí gera tribunais improvisados nas redes sociais, mas reuniões festivas entre o poder econômico e político são tratadas como mero networking.
Essa assimetria moral transformou a distração em método político de sobrevivência para o clã Bolsonaro e seus aliados. Enquanto o público se perdia em polêmicas vazias sobre alas e carros alegóricos, o verdadeiro desfile acontecia longe dos holofotes: silencioso, técnico e extremamente lucrativo para uma pequena elite financeira. Houve uma "multiplicação de privilégios" para o mercado, com direito a negociatas documentadas por câmeras escondidas e a presença de convidadas estrangeiras, em episódios que lembram as táticas de controle e dominação de figuras obscuras como Jeffrey Epstein.
A retórica bolsonarista focava em atacar a "família brasileira" retratada na avenida, mas ignorava propositalmente as planilhas que sangravam a economia popular. A habilidade de transformar o Carnaval em um perigo moral servia apenas para que as "conservas" do sistema financeiro permanecessem bem fechadas e protegidas de qualquer fiscalização. É um roteiro previsível, onde a fumaça das pautas de costumes sobe para que ninguém olhe para os bilhões que circulavam entre as autoridades do antigo governo e os donos do capital, reforçando privilégios em vez de combatê-los.
A imprensa lavajatista, por sua vez, gastou dias debatendo alegorias enquanto mantinha uma cortina de silêncio sobre a relação promíscua entre o sistema financeiro e o governo Bolsonaro. Para o samba, exigia-se lupa e rigor; para os banquetes na Bahia, bastava o rótulo de "vida privada". Essa proteção midiática permitiu que o bolsonarismo mantivesse sua base enganada, enquanto operava um desmonte silencioso em favor de grupos econômicos que expandiram suas operações sob o clima político amistoso da extrema-direita, sem qualquer compromisso com a ética republicana.
Em última análise, a República bolsonarista foi uma grande performance de hipocrisia. A maior alegoria desse período não estava nos desfiles, mas na própria estrutura de poder que usava o barulho das redes sociais para ocultar o silêncio das decisões de bastidores. O legado deixado é de um país que foi distraído pela coreografia do ódio enquanto as planilhas do sistema financeiro eram preenchidas com o suor do trabalhador. É hora de abrir essas caixas-pretas e mostrar que, sob a máscara patriótica, o que existia era apenas o velho vício da elite em saquear o Estado em benefício próprio.
Com informações do Brasil 247
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