200 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O ecossistema midiático brasileiro corre o risco de ser contaminado por mais um braço da desinformação global. A Fox News, conhecida por ser a porta-voz do conservadorismo radical nos Estados Unidos e principal aliada de Donald Trump, retomou as negociações reservadas para tentar se instalar no Brasil nos próximos meses. A movimentação, que envolve articulações estratégicas entre executivos estrangeiros e potenciais parceiros locais, busca avaliar a viabilidade comercial de um canal que serve como laboratório para pautas que o campo progressista tanto combate.
Segundo informações de bastidores, o grupo americano mapeia agora a estrutura de distribuição e o mercado anunciante brasileiro para decidir seu posicionamento editorial. O projeto, que havia sido engavetado há menos de um ano, volta à pauta justamente no momento em que a extrema-direita tenta se reorganizar no país. A Fox News não esconde seu objetivo: quer disputar o público que hoje consome emissoras como a Jovem Pan News, tentando amplificar o alcance de narrativas que frequentemente atacam as instituições democráticas e o governo do presidente Lula.
A chegada de uma filial brasileira da Fox News aumentaria a saturação de um mercado já congestionado por canais de notícias. Atualmente, o Brasil conta com opções variadas, desde a GloboNews até a Record News e a BandNews. A entrada desse novo player não seria apenas uma questão de concorrência por publicidade, mas uma clara tentativa de importar o modelo de "infotainment" americano, onde a opinião ideológica agressiva muitas vezes atropela o compromisso com o fato jornalístico, servindo de palanque para o bolsonarismo.
Executivos do grupo avaliam como adaptar o formato estrangeiro ao contexto brasileiro, focando em parcerias que possam garantir capilaridade imediata. Para quem acompanha a política nacional, é evidente que a Fox News enxerga no Brasil um terreno fértil para replicar as táticas de polarização que dividiram a sociedade americana. A disputa por verbas publicitárias em um segmento que já inclui o SBT News e o recém-chegado Times Brasil/CNBC será apenas a fachada para uma batalha muito mais profunda pela influência sobre a opinião pública.
Até o momento, os negociadores mantêm o sigilo sobre a data de lançamento e o modelo de operação, mas o monitoramento dos órgãos reguladores e da sociedade civil deve ser rigoroso. A experiência histórica mostra que canais com viés extremista tendem a testar os limites da liberdade de expressão para promover agendas antidemocráticas. O Brasil, que ainda se recupera das feridas deixadas pelo governo anterior, não precisa de mais um veículo dedicado a fomentar a discórdia e a distorcer a realidade em favor de interesses de elites transnacionais.
Resta saber quem serão os parceiros locais dispostos a abrir as portas para uma emissora que carrega um histórico tão controverso em seu país de origem. A consolidação deste projeto representaria um desafio adicional para a soberania informativa do Brasil, exigindo que o público fique atento às fontes de financiamento e aos reais interesses por trás de uma suposta "oferta de informação". O mercado de notícias brasileiro pode estar prestes a enfrentar um de seus períodos mais turbulentos com a possível chegada do gigante conservador americano.
Com informações do DCM
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