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Mesmo atrás das grades na Papudinha, o líder da extrema-direita, Jair Bolsonaro, tenta manter seus tentáculos sobre a política fluminense. Em conversas reservadas com interlocutores, o ex-mandatário tem defendido o nome de Douglas Ruas, atual secretário estadual de Cidades, como o candidato do PL ao governo do Rio de Janeiro. A movimentação mostra que, apesar da prisão, o bolsonarismo segue obcecado em aparelhar o estado com figuras ligadas ao setor policial, já que Ruas é policial civil e filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson.
A escolha de Ruas não é por acaso e reflete a velha política de alianças por conveniência. O secretário foi o deputado estadual mais votado em 2022 e conta com o apadrinhamento direto de Altineu Côrtes, presidente estadual da legenda e peça-chave no esquema de influência da sigla no Rio. Ao apostar em alguém que levanta a bandeira da segurança pública, Bolsonaro tenta garantir que seu reduto eleitoral continue sob o domínio de aliados que rezam sua cartilha autoritária, embora a decisão ainda não tenha sido oficializada.
Contudo, a indicação tem gerado um racha interno no partido. Setores do PL, que sobrevivem à base de disputas por cargos e verbas, temem que a ascensão de Ruas concentre poder excessivo nas mãos de Altineu Côrtes. A briga pelo espólio político do Rio evidencia que, no campo da direita, o equilíbrio de forças é sempre frágil e movido por interesses pessoais, especialmente quando se trata de definir quem comandará a estrutura estadual da sigla nas próximas eleições.
O cenário ganha contornos ainda mais complexos devido à situação do governador Cláudio Castro. Sem vice-governador e de olho em uma vaga no Senado, Castro exige garantias de que seu sucessor consiga administrar o rombo orçamentário de R$ 19 bilhões deixado por sua própria gestão. Caso ele renuncie para disputar o pleito, o Rio de Janeiro poderá enfrentar uma eleição indireta, o que transformaria a sucessão em um balcão de negócios dentro da Assembleia Legislativa, bem ao estilo do que o grupo político de Bolsonaro costuma operar.
Enquanto o ex-presidente tenta dar ordens da cadeia, a "prole" também se movimenta. O senador Flávio Bolsonaro terá papel decisivo no arranjo final, já que nomes como Carlos Portinho e Bruno Bonetti também buscam a "bênção" da família para tentar o Senado. Portinho admitiu que, embora Jair Bolsonaro queira indicar uma das vagas diretamente, nada será decidido sem o aval de Flávio, reforçando o caráter dinástico e centralizador que o clã sempre impôs às suas bases aliadas.
O desfecho dessa articulação só deve ocorrer após o carnaval, quando dirigentes do PL pretendem reunir as lideranças para bater o martelo. O que se vê, no entanto, é a tentativa desesperada de um grupo político acuado pela justiça em manter o Rio de Janeiro como seu laboratório de pautas conservadoras. Para os defensores da democracia, resta observar como essas alianças espúrias se comportarão diante de um estado financeiramente quebrado e politicamente refém das vontades de um ex-presidente detido.
Com informações do DCM
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