182 visitas - Fonte: Plantão Brasil
As negociações de paz entre Ucrânia e Rússia em Genebra chegaram ao fim nesta quarta-feira (18) sem os avanços esperados, revelando o abismo que ainda separa as duas nações após quatro anos de um conflito sangrento. O presidente Volodymyr Zelensky classificou os encontros como "difíceis" e denunciou abertamente a tática russa de retardar o progresso das conversas. Enquanto Kiev busca uma solução que preserve sua soberania, Moscou, representada pelo assessor do Kremlin Vladimir Medinsky, mantém uma postura ambígua, prometendo novas rodadas sem definir datas, o que reforça a percepção de que a diplomacia russa atua apenas para ganhar tempo no campo de batalha.
O cenário em Genebra foi pesadamente influenciado pela postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Demonstrando sua face mais pragmática e, para muitos, insensível, Trump tem pressionado publicamente a Ucrânia a aceitar concessões rápidas, chegando a declarar que Kiev precisa "ir à mesa rapidamente". Zelensky não escondeu sua indignação, classificando como "injusta" a cobrança de Trump que recai apenas sobre a vítima da invasão, e não sobre o agressor. O líder ucraniano alertou que qualquer plano que envolva a entrega de territórios não conquistados pela Rússia será sumariamente rejeitado pelo povo em referendo.
Diante do que parece ser uma estratégia de Trump para forçar um acordo a qualquer custo, a Ucrânia clama por uma participação mais ativa e "indispensável" dos aliados europeus, como França, Alemanha e Reino Unido. Kiev entende que a Europa possui uma visão mais equilibrada da segurança regional e não pode ser deixada de lado em um processo que definirá o futuro do continente. A pressão americana, focada em resultados imediatos para a agenda interna de Trump, gera desconfiança sobre a qualidade da paz que está sendo desenhada, enquanto a infraestrutura energética da Ucrânia segue sendo destruída por ataques russos.
No campo prático, as divergências territoriais continuam sendo o maior entrave. A Rússia ocupa atualmente cerca de 20% da Ucrânia, incluindo a Crimeia e partes estratégicas de Donbas. O chefe da delegação ucraniana, Rustem Umerov, descreveu os debates como intensos, mas a realidade é que os mecanismos para uma decisão concreta ainda não saíram do papel. O primeiro dia de reuniões, que durou seis horas em um clima "muito tenso", serviu apenas para expor que as "expectativas excessivas" de uma solução rápida eram, na verdade, uma ilusão alimentada por quem observa o conflito de longe.
O fracasso desta rodada na Suíça, após tentativas frustradas em Abu Dhabi, ocorre às vésperas do quarto aniversário da invasão em larga escala iniciada em fevereiro de 2022. O balanço é trágico: centenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e uma nação lutando para não congelar no inverno rigoroso. A estratégia russa de atacar alvos civis e infraestruturas vitais é uma forma de chantagem que o governo Lula e o campo progressista mundial observam com preocupação, defendendo sempre uma paz que não signifique a rendição de um povo soberano diante de interesses expansionistas.
A esperança ucraniana reside agora na possibilidade de que a "tática" de Trump seja apenas uma bravata de negociação e não uma decisão final de abandonar o apoio a Kiev. Zelensky deixou claro que a esperança não pode ser substituída pela capitulação forçada. Sem um cessar-fogo no horizonte e com Moscou negando deliberadamente o progresso das tratativas, o mundo assiste a um jogo de xadrez diplomático onde as vidas humanas parecem valer menos que os mapas territoriais nas mesas de Genebra. A resistência da Ucrânia continua sendo o único obstáculo real contra uma paz imposta pelo autoritarismo.
Com informações do Brasil 247
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