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A reabertura dos trabalhos no Congresso Nacional revela uma manobra clara das cúpulas da Câmara e do Senado para blindar o sistema financeiro e seus aliados políticos. Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) estão agindo nos bastidores para enterrar a criação da CPI do Banco Master. A estratégia é cínica: inundar a pauta com temas de apelo popular, como o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública, apenas para esvaziar o espaço político e impedir que a investigação sobre as fraudes bilionárias ganhe fôlego em pleno ano eleitoral.
Davi Alcolumbre, em particular, tem motivos de sobra para temer a transparência. O senador, que exerce influência absoluta no Amapá, viu a Polícia Federal realizar uma operação na Amapá Previdência (Amprev) para investigar investimentos suspeitos de servidores públicos no Banco Master. Ao evitar o que chama de "mexer no vespeiro", Alcolumbre tenta proteger seu reduto eleitoral e evitar que o escândalo respingue em sua base política. Para os donos do poder, o desgaste de uma investigação séria sobre dinheiro público desviado parece ser um preço alto demais para pagar antes das urnas.
Na Câmara, Hugo Motta utiliza o regimento como escudo, alegando que respeitará a fila de 15 pedidos de CPI já existentes para não priorizar o caso Master. É a velha tática de deixar o tempo esfriar o crime. Enquanto isso, a oposição e setores do campo progressista tentam furar esse bloqueio. O deputado Rogério Correia (PT-MG) já sinalizou que o partido apoia a instalação da comissão, prevendo que a investigação será "o terceiro tiro no pé do bolsonarismo", expondo as entranhas de um sistema que floresceu sob a omissão e o favorecimento dos últimos anos.
O contraste é gritante: de um lado, a urgência de investigar o uso de recursos de fundos de previdência estaduais em carteiras sem lastro; do outro, presidentes de Casas Legislativas que preferem discutir acordos comerciais e escalas de trabalho apenas como cortina de fumaça. A leitura predominante nos corredores de Brasília é que a abertura da CPI traria desdobramentos imprevisíveis, capazes de fragmentar bancadas inteiras e expor quem realmente lucrou com a engenharia financeira do Master.
A resistência das cúpulas do Legislativo mostra que a "arapongagem" e as fraudes financeiras ainda possuem defensores poderosos no topo da República. Ao tentar "esvaziar o ambiente favorável" à CPI, Motta e Alcolumbre prestam um desserviço à sociedade, que exige saber para onde foi o dinheiro dos servidores. A pressão, no entanto, promete não ceder, já que o envolvimento da Polícia Federal em órgãos como a Amprev torna a situação cada vez mais insustentável para quem tenta manter o sigilo sobre as contas públicas.
A democracia exige que o Congresso não seja um balcão de proteção mútua. Se temas como a jornada 6x1 são vitais para o trabalhador, a punição de quem frauda bancos e previdências é fundamental para a moralidade do Estado. O governo Lula segue atento a essas movimentações, ciente de que a verdade sobre o Banco Master é uma peça-chave para desmantelar o que restou das estruturas de poder escusas que aparelharam o país. A batalha pela CPI será o teste definitivo para saber se o Congresso serve ao povo ou aos interesses ocultos de seus presidentes.
Com informações do Brasil 247
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