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A Coreia do Sul deu hoje uma aula de democracia e coragem institucional ao condenar o ex-presidente conservador Yoon Suk Yeol à prisão perpétua. O veredito, anunciado nesta quinta-feira (19), confirma que a tentativa de impor a lei marcial em dezembro de 2024 foi um ato criminoso de insurreição e uma violação direta da ordem constitucional. Enquanto a promotoria chegou a pedir a pena de morte pelo "total desprezo" de Yoon à democracia, a sentença final garante que o ex-líder passará o resto de seus dias atrás das grades por seus ataques ao povo sul-coreano.
Yoon, em uma postura que lembra o cinismo de líderes da extrema-direita global, tentou justificar seus crimes alegando que a lei marcial era um "exercício legítimo de autoridade". Ele chegou ao absurdo de acusar a oposição de impor uma "ditadura" legislativa para tentar validar sua tentativa de golpe. No entanto, a Justiça foi implacável ao apontar que o réu, que tinha o dever maior de defender a Constituição, demonstrou uma atitude deplorável de desrespeito ao Estado de Direito, tornando sua culpabilidade extremamente grave.
As investigações revelaram um histórico de sujeira e obstrução da justiça. Yoon já havia sido condenado a cinco anos de prisão por fabricar documentos, ocultar registros telefônicos e até se esconder na residência oficial sob proteção de guardas pessoais para evitar ser preso. O magistrado Baek Dae-hyun ressaltou que o ex-presidente excluiu funcionários de reuniões estratégicas para tramamar o fechamento do Parlamento e a limitação dos direitos civis, agindo como um tirano acuado que tentava sobreviver politicamente através da força bruta.
A resistência heroica do Parlamento e da população sul-coreana em dezembro de 2024 foi fundamental para que o golpe fracassasse em poucas horas. Após meses de resistência e isolamento em sua residência, Yoon tornou-se o primeiro presidente em exercício no país a ser detido. Sua tentativa de minimizar o crime nas audiências, dizendo que a lei marcial era apenas um "aviso para romper um impasse", não enganou o Tribunal Constitucional, que enxergou a manobra como o que ela realmente foi: um atentado violento contra a soberania popular.
A condenação à prisão perpétua serve como um aviso contundente para figuras como Jair Bolsonaro e seus seguidores, que flertam constantemente com rupturas democráticas e o uso das Forças Armadas para interesses pessoais. Na Coreia do Sul, o sistema de justiça provou que presidentes não possuem imunidade para o crime de insurreição. O destino de Yoon Suk Yeol mostra que o caminho do autoritarismo e da traição constitucional leva inevitavelmente ao banco dos réus e ao isolamento da cela.
Com o encerramento deste julgamento histórico, a Coreia do Sul reafirma sua posição como uma democracia sólida que não tolera a impunidade de elites políticas. O roteiro de destruição institucional tentado pelo ex-líder conservador foi devidamente sepultado pela lei. O povo sul-coreano agora pode olhar para o futuro com a certeza de que a Constituição venceu a tirania e que o poder soberano reside, de fato, nas mãos dos cidadãos, e não de golpistas que se julgam donos da nação.
Com informações do DCM
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