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O ministro André Mendonça, o "terrivelmente evangélico" alçado ao Supremo por Jair Bolsonaro, iniciou sua relatoria no caso Master com uma manobra que escandalizou o campo democrático e as instituições de controle. Em sua primeira decisão oficial, Mendonça impôs uma mordaça sem precedentes à Polícia Federal, proibindo que os investigadores comuniquem seus superiores hierárquicos — inclusive o diretor-geral Andrei Rodrigues — sobre o andamento do inquérito. A medida é vista como um golpe mortal na transparência, centralizando no gabinete do ministro o controle absoluto sobre o que será ou não investigado a respeito de seus ex-colegas de ministério e aliados políticos.
A decisão de Mendonça vai além de interferir na hierarquia da PF; ela cria um escudo de proteção para figuras carimbadas do bolsonarismo. Estão na mira nomes como Flávia Perez, João Roma e Ronaldo Vieira Bento, todos ex-ministros de Bolsonaro que hoje ocupam cargos no Banco Pleno, sócio do banqueiro Daniel Vorcaro. Ao exigir que qualquer nova frente de investigação passe por seu crivo prévio, o ministro garante que terá a palavra final sobre o alcance das apurações que envolvem a cúpula que saqueou o Brasil nos últimos quatro anos, em um esquema que agora revela conexões profundas com fraudes no crédito consignado.
Além de blindar os políticos, o ministro evangélico estendeu o manto de proteção ao setor financeiro e religioso. Mendonça autorizou o banqueiro Daniel Vorcaro a faltar ao depoimento na CPMI do INSS, dificultando o esclarecimento do rombo bilionário que prejudicou milhares de aposentados. O deputado Rogério Correia (PT-MG) classificou a interferência como "terrivelmente inconstitucional", alertando que a manobra serve para esconder como o dinheiro roubado do povo pode ter sido lavado através de instituições ligadas à Igreja da Lagoinha e campanhas de extrema-direita, como as de Bolsonaro e Tarcísio de Freitas.
O cenário aponta para uma "dupla blindagem": uma política, para proteger os indicados de Bolsonaro e o legado de Roberto Campos Neto no Banco Central, e outra religiosa, para abafar as ligações da Igreja da Lagoinha com o Clava Fort Bank. Há fortes indícios de que o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e doador de campanha de Tarcísio, operava como peça-chave no esquema. Com Mendonça no controle, a preocupação é que as provas que ligam o crime organizado da Faria Lima aos púlpitos bolsonaristas sejam enterradas antes de chegarem ao conhecimento público.
A estratégia de isolar a direção da Polícia Federal e controlar o fluxo de informações é uma tática típica de quem deseja selecionar alvos e proteger amigos. Enquanto o crime organizado e os especuladores festejam, o governo Lula e seus aliados no Congresso lutam para que os requerimentos de quebra de sigilo e convocações não sejam engavetados. A tentativa de Mendonça de transformar o STF em um balcão de proteção para o bolsonarismo fere a Constituição e demonstra que o "lavajatismo 2.0" já tem seu operador oficial dentro da Suprema Corte.
O Brasil assiste, estarrecido, ao aparelhamento de um processo judicial para salvar uma rede de corrupção que envolve desde a alta finança até o fundamentalismo religioso. A resistência contra esse retrocesso é fundamental para que o caso Master não termine em impunidade, como tantos outros escândalos do governo anterior. A sociedade exige que a Polícia Federal tenha autonomia para investigar todos os envolvidos, independentemente de sua fé ou de quem os indicou ao cargo, garantindo que o dinheiro dos aposentados não financie mais o projeto de poder da extrema-direita.
Veja a postagem do deputado Rogério Correia
Todos os habeas corpus decididos pelo Ministro André Mendonça, liberaram os depoentes de presença obrigatória na CPMI do INSS e nenhum compareceu. O caso mais emblemático é Camizotti, espécie de chefe do Careca do INSS, que foi blindado pelo habeas corpus, mesmo estando preso.… https://t.co/JvpgwlyWYM
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) February 20, 2026