802 visitas - Fonte: Plantão Brasil
Diz o ditado popular que o lobo perde o pelo, mas não perde o vício, e no ecossistema político da família Bolsonaro, essa máxima é seguida à risca. Com o patriarca Jair Bolsonaro devidamente atrás das grades e o clã isolado, a estratégia para 2026 revela-se uma reprise barata de um filme que o Brasil já conhece. Eduardo Bolsonaro, o "filho 03" que hoje despacha dos EUA sem mandato enquanto o cerco judicial se aperta, resolveu tirar a poeira do roteiro de 2018 para tentar salvar a relevância da família através do medo e da desinformação.
Sem qualquer solução real para os problemas do país, Eduardo recorreu ao X (antigo Twitter) para requentar o discurso do “atentado iminente”. Desta vez, ele escalou o irmão, o senador Flávio Bolsonaro, para o papel de vítima da vez. O esforço nostálgico tenta reeditar o fenômeno da facada, que em 2018 serviu como o combustível perfeito para blindar um candidato de retórica escatológica, permitindo que ele fugisse de debates e cultivasse uma aura messiânica que enganou milhões de brasileiros.
A ansiedade de Eduardo é transparente ao tentar costurar uma narrativa com nomes internacionais para dar verniz de seriedade ao seu desespero. Em sua postagem, ele listou episódios ocorridos em décadas e contextos completamente diferentes, como os casos de Donald Trump e Álvaro Uribe, para sugerir uma perseguição global coordenada contra a direita. É a tática de anunciar a própria tragédia sem qualquer indício real, apenas para manter a militância em estado de alerta e o sobrenome em evidência nas redes sociais.
Para quem observa de fora, o movimento é um sinal claro de fraqueza. Entre o pavor de ver o pai preso e a necessidade de viabilizar a candidatura de Flávio ao governo ou à presidência, o bolsonarismo volta a apostar na única fórmula que conhece: o vitimismo. Contudo, repetir o mesmo truque de mágica para a mesma plateia raramente funciona. O Brasil de 2026 não é o mesmo de 2018, e as instituições estão muito mais atentas às manobras que visam desestabilizar a democracia através do pânico artificial.
A manobra de Eduardo Bolsonaro ignora as particularidades criminais que cercam sua família e tenta focar no que realmente importa para eles: a sobrevivência política a qualquer custo. O uso estratégico de redes sociais para plantar sementes de conspiração é a marca registrada de um grupo que sobrevive do caos. O país, no entanto, parece exausto dessa política de espetáculo que não entrega nada além de discórdia e ataques às instituições que garantem a ordem constitucional.
Veja:
O mesmo conselho que falei a @FlavioBolsonaro: olho na sua segurança. Já foram vários presidenciáveis de direita nas Américas assassinados ou tentados.
— Eduardo Bolsonaro???? (@BolsonaroSP) February 19, 2026
???? Miguel Uribe @MiguelUribeT (2025)
???? @realDonaldTrump (2024)
???? Fernando Villavicencio (2023)
???? @jairbolsonaro (2018)
????… pic.twitter.com/i98NCe0C0y