4685 visitas - Fonte: El País
Diálogos entre procuradores da Lava Jato mostram que integrantes da força-tarefa de Curitiba trataram a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, como um entrave na operação e que planejaram minar sua imagem por meio de vazamentos de informação na imprensa.
As mensagens foram publicadas na tarde de hoje pelo site do jornal El País, em conjunto com o The Intercept Brasil e indicam que a chefe do Ministério Público era vista como uma espécie de inimiga da operação. Para os procuradores, sua morosidade em homologar os acordos de delação, como o do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS, atrapalhava as investigações. A proximidade dela com o ministro do STF Gilmar Mendes também é criticada.
Em um dos chats, os procuradores reclamam que Dodge sairia de férias entre 3 e 17 de julho, sem resolver "pendências" relacionadas ao acordo. No dia 29 de junho de 2018, o coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, havia proposto aos colegas, pressionar Dodge "usando" a imprensa "em off", passando informação a jornalistas sem se identificar. "Podemos pressionar de modo mais agressivo pela imprensa", propõe. Em outra mensagem, diz: "A mensagem que a demora passa é que não tá nem aí pra evolução as investigações de corrupção, se queixa. "Da saudades do [Rodrigo] Janot", afirma Deltan aos colegas.
Em 20 de junho daquele ano, dias antes de Dodge ser apontada para o cargo pelo então presidente Michel Temer, Deltan diz aos colegas: "Bastidores: - Raquel Dodge se aproximou de Gilmar Mendes e é a candidata dele a PGR", escreve o procurador. Em outra conversa, o coordenador da Lava Jato afirma que Dodge só não confronta Mendes porque "sonha" com uma cadeira no Supremo assim que seu mandato na PGR terminar.
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