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23/8/2019 08:09

NASA diz que focos de incêndio coincidem com dados do INPE e têm assinatura do desmatamento

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Pesquisadores da Nasa que monitoram focos de queimada no planeta afirmam que seus dados sobre o Brasil estão consistentes com o aumento abrupto que o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais) vem reportando nas últimas semanas.



"Vimos sinais de que o desmatamento está aumentando neste momento", diz Douglas Morton, chefe do Laboratório de Ciências Biosféricas do Centro Goddard de Voo Espacial da Nasa, em Maryland, nos Estados Unidos.

Segundo o pesquisador, é possível correlacionar os principais focos de calor detectados pelos satélites Terra e Aqua da Nasa ao corte raso de floresta na região, e não a outros tipos de atividade que implicam queimadas sem desmatamento, como limpeza de pastos, preparo de plantios ou queima de bagaços.



"Dez dias atrás, olhei as imagens dos nosso sensores dos satélites em órbita e eles mostravam claramente os focos de calor separados, com colunas de fumaça enormes saindo daquelas áreas da fronteira agrícola, como Novo Progresso, a região da Terra do Meio, no Pará, e o sudeste do estado do Amazonas", afirma Morton à Folha.

"Não existe uma quantidade de combustível suficientemente alta para gerar aquelas colunas de fumaça se aquilo for somente limpeza de pasto, por exemplo."

Segundo o pesquisador, o padrão de nuvens visto na região é o de "pirocúmulo", que está associado a fogo ou atividade vulcânica. Morton afirma que na última vez que um cenário assim foi capturado por satélites da Nasa sobre a Amazônia foi nos anos de 2002 a 2004, quando o desmatamento anual estava acima dos 20 mil km² por ano.



Uma nota divulgada pelo site Earth Observatory da Nasa foi extensamente compartilhada em redes sociais por perfis da rede bolsonarista nesta quinta (22), por incluir a informação de que "a atividade total de fogo ao longo da Bacia Amazônica neste ano esteve perto da média em comparação aos últimos 15 anos".

"A afirmação [da Nasa] coincide com os dados do Programa Queimadas do Inpe", diz o coordenador do projeto, Alberto Setzer. "Os dados de focos de queima de vegetação que usamos na geração dos nossos dados --os focos do satélite Aqua-- são em princípio exatamente os mesmos que a Nasa usa no monitoramento que fazem para todo planeta. Os valores finais do Inpe são um pouquinho inferiores, pois retiramos o sinal de fontes industriais, como siderúrgicas."



Segundo ele, o fato de a Nasa afirmar que Mato Grosso e Pará estão abaixo da média para queimadas também não conflita com os dados do Inpe.

"Mato Grosso é o estado com mais focos neste ano; por outro lado, em termos de aumento porcentual, o Pará está muito mais alto", diz Setzer. "Mato Grosso tem apresentado queda nos últimos anos, embora nada se possa dizer para 2019, uma vez que ainda temos quatro meses pela frente."

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2904 visitas - Fonte: Folha

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