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Uma investigação conjunta da Superintendência do Trabalho no Rio, Polícia Federal e Ministério Público do Trabalho revelou uma prática chocante: dependentes químicos, que buscavam ajuda em uma casa de reabilitação ligada a uma igreja evangélica, eram explorados em trabalhos forçados em estabelecimentos da Zona Oeste do Rio. Mais alarmante ainda, mais da metade do dinheiro que ganhavam era confiscado pelo pastor da igreja Alcance Vitória, que administra a clínica, ou era forçado a ser doado como dízimo à instituição em Paciência.
Os sete indivíduos resgatados eram tratados como "escravos de ganho", sendo forçados a trabalhar fora e entregar quase todo o dinheiro que ganhavam. Em muitos casos, em vez de receberem dinheiro, eram pagos com tinta para pintar as casas onde moravam ou com alimentos como carne e salsicha. Além disso, eram obrigados a participar dos cultos da igreja.
A área onde a clínica está localizada é conhecida por ser dominada por milicianos. Durante o resgate dos internos em agosto, milicianos tentaram interferir, mas foram impedidos pela presença da Polícia Federal. A igreja Alcance Vitória tem conexões com a Victory Outreach Church, uma organização internacional. O pastor Jackson Sobral, que estava à frente da clínica, foi acusado de trabalho análogo à escravidão.
Os resgatados eram forçados a trabalhar sem registro formal e tinham que dividir metade do salário com o pastor. Além disso, eram coagidos a doar 10% do que ganhavam como dízimo. Trabalhavam em mercados e outros estabelecimentos da região, muitas vezes em condições precárias e sem equipamentos de proteção adequados.
As regras da clínica eram rígidas: os internos tinham proibições como usar celulares e eram obrigados a seguir uma série de diretrizes. Qualquer desvio resultava em punições severas, como a perda de salários. Muitos dos alimentos que recebiam estavam vencidos, e as condições de vida eram subumanas.
Após a investigação, o pastor Jackson concordou em devolver os valores devidos aos trabalhadores e pagar uma compensação adicional. As empresas que empregavam os trabalhadores também concordaram em pagar indenizações e benefícios.
*Com informações do Metrópoles
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