Imigrantes africanos denunciam racismo e cobram justiça pela morte de senegalês pela PM/SP

Portal Plantão Brasil
24/5/2024 16:57

Imigrantes africanos denunciam racismo e cobram justiça pela morte de senegalês pela PM/SP

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Após a morte do senegalês Serigne Mourtalla Mbaye, que caiu do 6º andar do edifício onde morava no centro de São Paulo durante uma ação da Polícia Militar, a comunidade africana se mobiliza para exigir justiça. Lideranças ouvidas pelo Brasil de Fato denunciam que o racismo e a xenofobia sofridos pelos estrangeiros são recorrentes na maior cidade do país e afirmam que a morte de Talla não é um caso isolado.

Talla morreu há um mês, na noite de 23 de abril, após a PM entrar sem mandado no Edifício Japurá, na Rua Guaianases, e subir até o apartamento 609, onde ele estava, para investigar um suposto comércio ilegal de celulares. Segundo a versão dos policiais, Talla tentou fugir acessando o andar inferior do prédio, se desequilibrou e caiu. Morador do Brasil há quase três anos, ele deixou duas crianças, uma delas fez aniversário no dia de sua morte.

Imigrantes africanos contestam a versão da PM e cobram justiça pela morte do senegalês. Um ato convocado pela comunidade africana, realizado um dia após a morte de Talla, reuniu centenas de pessoas, exigindo uma investigação rigorosa sobre as circunstâncias da morte. No entanto, a investigação está lenta, e o acesso público às câmeras corporais dos policiais envolvidos ainda não foi disponibilizado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP).

"O grande problema é que não é um caso contra os africanos, ou seja, contra estrangeiros, são casos contra pretos, que são assassinados minuto a minuto no Brasil. A polícia nunca invadiria a casa de um imigrante japonês, dinamarquês ou americano branco. Isso é um caso contra o povo preto principalmente", comenta o guineense Braima Mane. Ele vive no Brasil há 16 anos e relata ter presenciado vários assassinatos de imigrantes e negros, sem que a justiça fosse feita.

A violência contra imigrantes africanos no Brasil é um problema recorrente. O brutal assassinato do congolês Moise Kabagambe em janeiro de 2022, em um quiosque na zona oeste do Rio de Janeiro, expôs o racismo sofrido pelos imigrantes africanos. Em outubro do mesmo ano, o gambiano Bubbacarr Dukureh foi morto pelas costas por um policial militar em São Paulo. Ele levava dois currículos e uma faca comprada a pedido da esposa, que é auxiliar de cozinha.

"Eu sou ser humano. Acho, como mãe, que todo ser humano merece a vida, independente de ser negro ou branco. As mortes de pessoas negras já estão incomodando bastante, porque a abordagem já é muito desumana. Somos tratados como ameaça e bandidos, independente do que fazemos", diz a atriz e ativista Mariama Bah, nascida em Gâmbia.

Cerca de 35 mil imigrantes africanos vivem no Brasil, além de mais de 150 mil imigrantes haitianos, que também enfrentam racismo e relações de trabalho desiguais. "Tenho orgulho dessa pele que tenho. Os africanos fazem parte da construção deste lindo país que é o Brasil. Estão querendo apagar a história? Não podem", afirma a atriz congolesa Prudence Kalambay. Ela destaca a luta histórica dos africanos pela independência e pelo fim da escravidão, enfatizando que a luta continua contra a "escravidão modernizada".

Com informações de Carta Capital

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