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25/11/2022 09:04

Richarlison, mais que um jogador, é um brasileiro que ´´ quer mudar o país``

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28967 visitas - Fonte: Ecoa SP

Richarlison de Andrade não é só o camisa 9 da Seleção. Em meio às fotos dos inúmeros gols que já fez com a amerelinha do Brasil, em suas redes sociais, ele compartilha memes, suas tatuagens do Taz-Mania, Papaléguas e Pato Donald, além de seus posicionamentos sobre causas sociais e ambientais, algo incomum entre jogadores de futebol.

O atacante do Tottenham não deixa nada passar despercebido. Da morte de George Floyd e inúmeros outros casos de racismo também no futebol, ao apagão no Amapá, passando pela pandemia de covid-19, até as queimadas no Pantanal, Richarlison está sempre disposto a colocar o dedo na ferida. O que, para ele, não passa de algo normal. "Faz parte do que eu sou, da minha origem", comenta o capixaba de Nova Venécia (ES).

Em visita ao Pantanal, o atacante chegou até a adotar uma onça. Acerola hoje vive aos cuidados do Onçafari, ONG que por meio do turismo ecológico protege onças e a vegetação da região.

Richarlison conheceu Acerola e o projeto em uma ação da Nike, fornecedora de material esportivo da seleção brasileira, para o lançamento da camisa que o Brasil usará na Copa do Mundo no Qatar em novembro.

Com exclusividade a Ecoa, o camisa 9 contou como foi a experiência de conhecer a região, que passou por inúmeras queimadas nos últimos anos, e falou sobre os motivos que o levam a ser um ponto fora da curva dentro do futebol.

ECOA: Como foi para você estar junto ao Onçafari visitando o Pantanal?

Richarlison: Foi uma experiência muito legal. Acho que é o sentimento de todos que estiveram lá naqueles dias, de que foi uma experiência única na vida.

O Pantanal é um lugar mágico, onde a gente tem contato com a natureza o tempo todo. E no Onçafari tive a chance de conhecer muitas coisas da região que nem fazia ideia que existiam e são fantásticas.

Além da oportunidade surreal de ver as onças passando pertinho do carro e sem nem se incomodar com a nossa presença ali, as araras azuis também... Enfim, foi um momento que nunca mais vou esquecer.

ECOA: Você já chegou a dizer que enquanto tiver uma causa importante, você sempre vai "botar a cara". Quais causas, no momento, você julga serem mais importantes e que você deseja sensibilizar as pessoas que te acompanham sobre?

Richarlison: Acho que é importante a gente estar sempre atento ao que acontece. Eu não sou nenhum especialista para julgar a relevância de cada uma das causas, porque acho que elas sempre atingem uma parcela da população que se sente prejudicada.

E quem sou eu pra medir a dor dos outros? Mas acredito que, no momento, o que mais tem me chocado são os casos de racismo, além da causa ambiental, ainda mais depois dessa experiência de poder voltar ao Pantanal e viver esses dias tão especiais por lá.

ECOA: Você já usou as redes sociais inúmeras vezes para se posicionar em causas ambientais como o fogo no Pantanal e sociais como o apagão que ocorreu no Amapá. O que te leva a fazer esse tipo de manifestação e qual importância você vê nisso?

Richarlison: Cara, eu já passei muito perrengue na minha vida. Eu acho que é só uma questão de se colocar no lugar de quem tá passando por uma situação difícil, ter empatia.

Sobre as questões ambientais, eu quando era moleque adorava andar a pé pela cidade, nadar nas represas lá na minha cidade, e sempre tive essa conexão.

Com o Pantanal, começou quando fui pra lá a primeira vez, em 2019. Quando houve as queimadas, foi algo que me tocou muito, porque me lembrei dos dias que passei por lá, da aldeia que visitei, aquilo lá é um paraíso e nunca deveria sofrer com queimadas, especialmente criminosas.

"Acho importante falar, mobilizar pessoas, porque, infelizmente, alguns que estão no comando só se movimentam para fazer alguma coisa quando existe algum tipo de pressão popular ou quando existe a possibilidade de ganhar votos.. Eu tento mobilizar quem me segue, mostrando o que está acontecendo e cobrando de quem é a responsabilidade por essas situações.

ECOA: Você se tornou parceiro do USP Vida no período mais agudo da pandemia de covid-19 no Brasil. Qual foi a importância dessa parceria para você e por que você decidiu se engajar nessa causa?

Richarlison: Quando a pandemia começou a gente tinha pouca informação e não sabia muito bem o que estava acontecendo. Eu fiquei muito inquieto preso dentro de casa sem saber direito o que fazer.

Aí junto com meu staff resolvi concentrar as ações em um só lugar e na divulgação de informação correta e útil para o povo, usando minhas redes sociais e as minhas aparições na imprensa também.

Além disso, o USP Vida foi um movimento fantástico, que arrecadou quase R$ 20 milhões para pesquisa, em verbas e materiais, e tenho certeza de que tudo o que a USP fez naquele período teve um impacto muito grande para a melhora da situação tão triste que a gente viveu no Brasil.

ECOA: Quem te inspira a se engajar em todas essas causas?

Richarlison: Eu não tenho uma inspiração muito clara. Eu vi alguns atletas que se engajaram e fizeram coisas muito boas mais ou menos na época que eu também comecei a me interessar por esses assuntos, como o Lewis Hamilton, o LeBron James e aqui na Inglaterra também tivemos o exemplo do Rashford, do United, que fez um trabalho muito bonito durante a pandemia.

Podemos dizer que somos contemporâneos nessa coisa de tentar ajudar e mudar alguma coisa dentro das nossas possibilidades, e fico feliz, porque são caras que eu admiro muito.

ECOA: Algumas pessoas, principalmente da mídia, te colocam como o jogador brasileiro mais politizado atualmente. Como você encara isso?

Richarlison: Isso é parte do que eu sou, de onde eu vim, da minha origem. Não me considero um cara politizado no sentido que alguns tentam colocar, só me conscientizei do que eu posso fazer, até onde a minha voz pode chegar e quem eu quero ajudar.

Quando a gente fala de política também, apesar de ser errado esse pensamento, sempre vem na cabeça aquele cara que quer ganhar algo em troca daquilo que faz.

E sendo bastante honesto, toda vez que me posiciono por algo que acredito, vem um monte de gente xingar, um monte de gente para de me seguir e dá uma dor de cabeça danada. Só que eu não ligo para isso. Enquanto puder fazer algo pra mudar meu país para melhor, eu vou estar aqui pra colocar a boca no mundo e gritar mesmo.

"Não vou parar por conta de meia dúzia de haters — e nem se fossem milhares".



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