528 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a expor as profundas rachaduras políticas dentro do clã bolsonarista ao evitar confirmar sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Contrariando as pressões de Flávio Bolsonaro, que já a dava como certa na disputa, ela declarou nas redes sociais que sua prioridade é cuidar do marido, Jair Bolsonaro, que segue preso e com saúde debilitada. A postura trava os planos de Valdemar Costa Neto e do PL, que tentam usar a imagem dela para salvar o espólio político da família em 2026.
Este novo episódio é apenas o capítulo mais recente de uma série de divergências públicas entre Michelle e os filhos do ex-presidente. Recentemente, ela já havia batido de frente com as estratégias da prole ao apoiar Caroline de Toni em Santa Catarina, ocupando um espaço que Carlos Bolsonaro tentava controlar. Além disso, a ex-primeira-dama se opôs ferozmente a alianças entre bolsonaristas e Ciro Gomes no Ceará, o que rendeu críticas abertas de Flávio, Eduardo e Carlos, evidenciando que ela não aceita mais ser apenas um joguete nas mãos dos enteados.
O clima de desconfiança mútua piorou drasticamente após a prisão de Jair Bolsonaro. Na ocasião, Flávio se autoproclamou porta-voz do pai sem sequer consultar Michelle, gerando um mal-estar que forçou o senador a pedir desculpas públicas meses depois. A disputa pelo controle da narrativa e do poder é nítida, com Michelle buscando autonomia enquanto os filhos tentam manter o monopólio das decisões, muitas vezes ignorando a única familiar que mantinha visitas regulares ao presidiário em Brasília.
A relação com os aliados mais radicais dos filhos também é marcada por hostilidades e trocas de acusações. Michelle chegou a interagir favoravelmente com comentários que sugeriam Tarcísio de Freitas como o novo líder do país, o que foi interpretado como uma traição ao "legado" direto de Bolsonaro. O gesto provocou ataques raivosos de blogueiros extremistas como Allan dos Santos, a quem Michelle respondeu de forma incisiva, classificando as investidas como acusações levianas e demonstrando que não pretende se submeter à milícia digital comandada pelos filhos de Jair.
Atualmente licenciada da presidência do PL Mulher, Michelle deixa o partido em uma situação de total incerteza. Embora Valdemar Costa Neto a veja como o principal trunfo para atrair o eleitorado evangélico, sua resistência em seguir o cronograma imposto pelos filhos de Bolsonaro atrasa as articulações para o próximo pleito. Ao afirmar que entrega seu futuro "nas mãos de Deus", ela retira o poder de decisão das mãos de Flávio e Carlos, mantendo o controle sobre o próprio capital político de forma independente.

Enquanto o bolsonarismo tenta se reorganizar após as derrotas judiciais, a desunião interna se torna o maior obstáculo do grupo. Michelle parece cada vez mais distante da harmonia de fachada que o clã tenta vender, preferindo focar em sua própria imagem do que servir de escada para as ambições da prole. O cenário aponta para um isolamento crescente dos filhos do ex-presidente, que perdem o controle sobre uma das figuras mais influentes do movimento, expondo a fragilidade de um grupo unido apenas pelo oportunismo.
Com informações do DCM
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