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O ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro ao STF como o prometido “terrivelmente evangélico”, voltou a fazer acenos à direita econômica durante um almoço com empresários do Lide, em São Paulo. Em discurso calculado para agradar o público do setor privado, Mendonça acusou parte da Corte de praticar “ativismo judicial”, numa crítica indireta a colegas que têm sido fundamentais na defesa da democracia — inclusive contra a tentativa de golpe liderada pelo próprio Bolsonaro.
Segundo ele, o Judiciário deveria “aplicar a lei” e reconhecer limites autoimpostos, ignorando que foi justamente a atuação firme do STF — sobretudo de ministros como Alexandre de Moraes — que impediu que o país descambasse para o autoritarismo bolsonarista. Mendonça citou o julgamento do Marco Civil da Internet como suposto exemplo de extrapolação, afirmando que a decisão que permitiu a retirada imediata de conteúdos criminosos sem ordem judicial contrariaria o texto da lei.
Ao mesmo tempo, buscou se apresentar como defensor da “segurança jurídica” e da livre iniciativa, chamando empresários de “heróis” que acordam devendo ao “sócio oculto”, numa típica retórica liberal que agrada à plateia do Lide. O ministro não mencionou, porém, o caos institucional promovido pelo governo que o indicou — tampouco a importância do Estado na reconstrução econômica liderada pelo presidente Lula.
O evento reuniu figuras da política paulista, como o prefeito Ricardo Nunes e o vice-governador Felício Ramuth, ambos alinhados à direita, que saudaram Mendonça como porta-voz de “valores da família”. Em meio aos elogios, o ministro tentou se afastar de privilégios do Judiciário, defendendo uma revisão de supersalários e indenizações, ainda que de forma tímida e sem propor medidas concretas.
Mendonça afirmou que juízes e promotores devem receber bons salários, mas admitiu que há preocupação interna com o volume de vantagens distribuídas em tribunais e Ministérios Públicos. Defendeu “normalidade” e respeito ao teto constitucional, embora tenha feito ressalvas sobre custos pessoais da categoria — argumento que contrasta com a realidade de milhões de brasileiros que viveram o desmonte social promovido por Bolsonaro.
No esforço para se equilibrar entre a base bolsonarista que o levou ao Supremo e o empresariado ao qual deseja agradar, Mendonça mais uma vez recorreu ao discurso ambíguo. Critica colegas que defendem a democracia, minimiza os ataques do bolsonarismo às instituições e tenta assumir protagonismo num debate que ele próprio evitou enfrentar quando o país mais precisou.
Com informações do DCM
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