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8/12/2022 15:34

Vídeo: Carla Ayres do PT em Santa Catarina, é assediada por colega parlamentar

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1732 visitas - Fonte: UOL

Única petista e a mais jovem entre 22 parlamentares de Florianópolis, a vereadora Carla Ayres (PT-SC), 34, assediada ontem por um colega durante sessão na Câmara, tem seu mandato pautado pela defesa dos direitos da comunidade LGBTQIA+ e pelo combate à violência contra as mulheres — e recebe ameaças em razão disso.

O caso de assédio foi filmado e ocorreu no dia em que os vereadores aprovaram a Procuradoria da Mulher na Câmara. As imagens mostram o vereador Marquinhos da Silva (PSC) agarrando Carla, fechando o corpo ao redor dela e a beijando na bochecha. Ela se solta, e ele segue rindo. O vereador disse posteriormente que sua atitude foi um "erro".

Carla foi a primeira mulher eleita vereadora pelo PT em Florianópolis, em 2020, e exerce seu primeiro mandato. Nas redes sociais, se define como "feminista, lésbica, cientista social e política".

"Nada autoriza ou justifica essa postura do vereador", disse Carla, em entrevista à CNN Brasil. "É uma liberdade que expressa, na verdade, como o machismo se manifesta e autoriza os homens usarem gestos desse tipo para cima das mulheres. Ele não é meu amigo, pai, tio, namorado".

Nascida em Jales (SP), é filiada ao partido desde os 16 anos e vive em Florianópolis desde 2012. É cientista social pela UEM (Universidade Estadual de Maringá) e doutora em Sociologia Política pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

Em seu site, Carla conta que só conseguiu concluir os estudos por ter sido beneficiada com programas de permanência, como bolsas de iniciação científicas e de extensão. E diz que, no período da graduação, "saiu do armário" e conheceu o que chama de "militância".

Concorreu à Câmara Municipal pela primeira vez em 2016, mas acabou com a terceira suplência. Também tentou uma candidatura à Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) em 2018, mas não foi eleita. Em 2020, conquistou 2.094 votos e se elegeu vereadora.

Ela preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e da Promoção da Igualdade de Gênero da Casa e é autora do projeto que cria o Programa Municipal de Erradicação da Pobreza Menstrual na cidade, que ainda não foi aprovado.

Cotidiano com ameaças e violência de gênero

Em entrevista para a revista AzMina publicada por Universa em setembro, quando concorria ao cargo de deputada federal, Carla contou que a maioria das violências que recebe são ameaças e ofensas nas redes sociais.

As ameaças são sempre denunciadas às autoridades competentes e as ofensas são denunciadas às plataformas. Geralmente, incluem relação com a minha orientação sexual (lésbica), ao meu partido, ao fato de eu ser mulher e as pautas que defendo. Carla Ayres, vereadora

Ela revelou que as ameaças e a radicalização do discurso de ódio contra candidaturas de esquerda forçou a campanha a contratar segurança em alguns momentos. Carla terminou a disputa como primeira suplente.

’Não é brincadeira se só um riu’

Ao comentar o caso de assédio sofrido por ela ontem, a vereadora destacou nas redes sociais que não se trata de uma brincadeira quando só uma das pessoas envolvidas dá risada.

No dia em que aprovamos a Procuradoria da Mulher na Câmara Municipal de Florianópolis, mais uma cena de assédio que precisamos lutar para que não ocorra nas ruas e nos parlamentos do nosso país. Não é brincadeira se só um riu. Carla Ayres

Ao UOL, a vereadora afirmou ontem não se tratar de um fato isolado, mas de uma violência de gênero. "Reflete uma reação aos processos de ocupação das mulheres nos espaços institucionais, e não podemos nos calar. Não pretendemos deixar passar batido, vamos verificar amanhã [hoje] quais medidas serão tomadas", completou.

Carla afirmou à CNN que já conversou com sua advogada e que irão acionar o Conselho de Ética da Câmara e pedir as medidas cabíveis. Elas também estudam outras providências além da casa legislativa, nas áreas cível e criminal.

Ao UOL, a Câmara Municipal informou que "repudia todo e qualquer ato e reafirma sua atuação no combate contínuo de toda e qualquer ação de violência contra as mulheres" que "sobre o caso denunciado, tão logo o processo chegue à Mesa Diretora, será realizada a apuração dos fatos seguindo os ritos administrativos disciplinares desta Casa Legislativa."

"Reconheço meu erro", diz vereador que a assediou

Em nota compartilhada em seu perfil no Instagram na noite de ontem, o vereador Marquinhos disse ter recebido com "tristeza a notícia de acusação de assédio contra uma colega".

"Reconheço meu erro em abordar a vereadora de maneira inconveniente, sem a sua autorização, e diante disso peço minhas sinceras desculpas a ela e a todas as mulheres que se sentiram ofendidas pelo meu ato. Ressalto que em nenhum momento agi de maneira má-intencionada [sic], porém, fui infeliz em invadir o seu espaço", escreveu.

Veja o vídeo:


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