735 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A estratégia desesperada de Carlos Bolsonaro nas redes sociais tem surtido o efeito oposto ao desejado pela defesa do ex-capitão. Ao atacar sistematicamente o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal, o filho "02" acaba se tornando o maior carcereiro do próprio pai, inviabilizando qualquer diálogo para uma possível progressão ao regime domiciliar. Para observadores atentos, essa insistência em esticar a corda contra as instituições sugere uma sanha destrutiva que, na prática, apenas sela a porta da cela de Jair Bolsonaro.
Nesta quinta-feira, Moraes rebateu com firmeza a campanha de desinformação orquestrada pela prole bolsonarista, que tenta pintar um cenário de perseguição onde existe apenas a aplicação da lei. O ministro classificou as queixas de Flávio e Carlos como notícias fraudulentas, reforçando que o cumprimento de pena para quem atentou contra o Estado Democrático de Direito não é temporada em colônia de férias. A transferência para o 19º Batalhão da PM ocorreu justamente para cessar o vitimismo infundado sobre as condições de custódia na Polícia Federal.
As reclamações da família beiram o ridículo diante da realidade brutal do sistema carcerário brasileiro. Enquanto Flávio Bolsonaro chamava o local de "cativeiro" e Carlos questionava a dignidade do tratamento, o Judiciário apresentou dados que expõem o privilégio escandaloso do ex-presidente. Bolsonaro dispõe de condições negadas aos mais de 384 mil presos comuns no Brasil, vivendo em um espaço que ignora a superlotação e a precariedade enfrentada pela população carcerária que eles mesmos sempre desprezaram.
O detalhamento da nova acomodação na "Papudinha" desmonta qualquer narrativa de tortura. Bolsonaro ocupará uma Sala de Estado-Maior de quase 65 metros quadrados, equipada com cama de casal, sala, cozinha, lavanderia e área externa exclusiva. O ministro ironizou as queixas sobre o ruído do ar-condicionado, lembrando que a simples existência de climatização já é um luxo inexistente para a maioria dos detentos. Além disso, o condenado poderá ter esteira e bicicleta ergométrica em sua sala privada.
Moraes também deu um basta nas comparações esdrúxulas de aliados, como o deputado Paulo Bilynskyj, que tentou equiparar a prisão do líder da extrema-direita a regimes autoritários. O ministro ressaltou que, como delegado, o parlamentar deveria conhecer a diferença entre o rigor penal e o tratamento digno, porém exclusivo, que está sendo garantido ao seu líder político. A decisão reafirma que a lei vale para todos, mesmo para quem passou anos tentando destruí-la por dentro do poder.
O comportamento da prole e dos parlamentares bolsonaristas apenas reforça no STF a convicção de que o grupo busca o confronto direto, e não a justiça. Ao transformar a execução da pena em um palanque político de ataques e mentiras, Carlos Bolsonaro e seus irmãos acabam enterrando as chances de qualquer flexibilização jurídica. O clã, que sempre pregou o "bandido bom é bandido morto", agora se vê enredado na própria retórica enquanto vê o patriarca colher os frutos da criminalidade que incentivou.
Veja a publicação no X:
Papo de canalha. O sujeito comete irregularidades há anos e ainda aparece um metido a besta achando que o rasgador diário da Constituição iria, por milagre, se solidarizar e passar a cumprir a lei. Nunca cumpriu. Nunca respeitou. Nunca deu sinais de que respeitaria.
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) January 16, 2026
Todas as… pic.twitter.com/aI98xZ3QYF