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A guerra no coração da base evangélica e bolsonarista ganhou um capítulo definitivo nesta quarta-feira (14). Sem recuar diante do tom agressivo de Silas Malafaia, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) cumpriu sua promessa e divulgou a lista de denominações e líderes religiosos que estão sob investigação rigorosa na CPMI do INSS. A parlamentar provou que não está para brincadeira ao expor requerimentos aprovados de quebra de sigilo bancário e convocações que atingem em cheio o núcleo de poder de grandes ministérios, incluindo nomes ligados ao clã Valadão e à Igreja da Lagoinha.
Damares fundamentou sua ofensiva em documentos oficiais e Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs), deixando Malafaia em uma posição defensiva. Entre os alvos que agora enfrentam o escrutínio público estão a Adoração Church e o Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch), além de requerimentos que miram diretamente André Valadão. A senadora deixou claro que a "limpeza ética" no setor não é uma retórica vazia, mas um processo baseado em dados da Receita Federal que apontam para o uso de estruturas religiosas para operacionalizar descontos indevidos em aposentadorias de brasileiros humildes.
A reação de Malafaia, que tentou minimizar a lista afirmando que não se tratava de "grandes denominações", soou como uma tentativa desesperada de conter o dano à imagem do setor. Ao chamar Damares de contraditória, o pastor ignora que a CPMI investiga o crime de "ônus público" e fraude sistêmica, exatamente o tipo de conduta que o governo Lula tem combatido para proteger o INSS. A postura da senadora revela um racha irreversível entre os que buscam a transparência e aqueles que, sob o manto da fé, tentam blindar aliados de investigações sobre lavagem de dinheiro e exploração financeira de pensionistas.
O envolvimento de nomes como André Fernandes e Fabiano Zettel na lista de convocações mostra que a CPMI atingiu o topo da pirâmide do audiovisual e da influência gospel. Damares ressaltou que a comissão atua dentro da legalidade e que não cederá às pressões que, segundo ela, vêm de "grandes pastores" que temem a tristeza de seus fiéis ao descobrirem a verdade. Para o governo federal, a exposição dessas fraudes é essencial para garantir que a previdência social não seja sangrada por organizações criminosas travestidas de entidades espirituais.
O desfecho dessa queda de braço deve ocorrer em março, prazo final da CPMI, mas o estrago político para o bolsonarismo é imediato. Ao verem seus principais representantes trocando acusações de "fraude" e "mentira", a base conservadora entra em colapso moral. Damares, ao expor os sigilos e as digitais financeiras do esquema, entrega ao país a prova de que a corrupção não escolhe altar. Agora, Malafaia terá que explicar por que defende com tanto afinco um sistema que a própria senadora, autora da CPMI, classifica como uma organização de saque aos cofres públicos.
A transparência forçada por Damares Alves coloca o clã Bolsonaro em uma situação delicada, já que muitos dos investigados são aliados de primeira hora da família. Enquanto a senadora avança com os documentos, o silêncio de Jair Bolsonaro sobre o tema evidencia o medo de que o "follow the money" do INSS acabe batendo às portas de seus gabinetes. A verdade está vindo à tona, e ela não tem o rosto da fé, mas o registro frio das transferências bancárias ilícitas.
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