3260 visitas - Fonte: Plantão Brasil
A rotina da Superintendência da Polícia Federal em Brasília precisou ser alterada para garantir o "conforto acústico" de Jair Bolsonaro, preso desde novembro de 2025. Após reclamações insistentes do ex-presidente, de seus advogados e até de Carlos Bolsonaro — que chegou a classificar o ruído de uma central de ar-condicionado como "sofrimento psicológico" —, a PF passou a desligar o equipamento diariamente entre 19h30 e 07h30. A medida visa silenciar o ambiente para que o condenado a mais de 27 anos de prisão possa dormir e se alimentar sem o incômodo do barulho constante que, segundo sua defesa, feria sua integridade.
A decisão operacional ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), exigir explicações detalhadas da PF sobre as condições da custódia. Os advogados do clã bolsonarista alegaram que a cela não oferecia as "condições mínimas de tranquilidade", tentando usar o barulho do motor como pretexto para sugerir reformas estruturais ou até a transferência para prisão domiciliar. Para evitar uma paralisação completa do edifício com obras de isolamento acústico, a corporação optou pelo desligamento noturno, aproveitando o período em que não há expediente administrativo no local.
Internamente, a presença de Bolsonaro na sede da PF tem gerado um clima de saturação entre os investigadores. O ex-capitão está em um espaço originalmente destinado a presos temporários, mas sua permanência definitiva alterou toda a logística de segurança e trabalho da Superintendência. O incômodo não é apenas do preso com o barulho, mas dos agentes que precisam gerenciar as constantes demandas de "conforto" de um detento que, embora tente se vitimizar, desfruta de uma atenção institucional raramente vista para presos comuns no sistema carcerário brasileiro.
A defesa de Bolsonaro, que acumula derrotas no STF em tentativas de converter a pena em regime domiciliar, utiliza qualquer detalhe do cotidiano carcerário para tentar desgastar a imagem da Justiça. Ao reclamar de um ruído que é inerente à estrutura de um prédio público, a prole do ex-presidente tenta construir uma narrativa de perseguição, enquanto o governo Lula mantém a postura de que a lei deve ser cumprida com rigor. O episódio do ar-condicionado reforça o abismo entre o discurso de "lei e ordem" pregado pelo bolsonarismo e a busca por privilégios quando seus líderes enfrentam as consequências de seus crimes.
Enquanto a central de ar é religada todas as manhãs, o ex-presidente continua enfrentando o silêncio de sua cela especial em Brasília, isolado de sua rede de influência e aguardando novos desdobramentos de seus processos. O privilégio do silêncio noturno concedido pela PF pode ser uma solução paliativa, mas não silencia o fato de que Bolsonaro cumpre uma sentença histórica por ataques ao Estado Democrático de Direito. A tentativa de transformar um desconforto sonoro em uma questão de Direitos Humanos soa irônica vinda de quem sempre desprezou tais garantias para a população carcerária brasileira.
Com informações do DCM
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.