69 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O cenário político da Venezuela sob a bota da intervenção norte-americana ganha contornos de um roteiro surrealista nesta quinta-feira (15). O presidente Donald Trump recebe em Washington a líder opositora María Corina Machado para um almoço que promete ser mais um exercício de egocentrismo do que de diplomacia. Recém-laureada com o Prêmio Nobel da Paz — honraria que Trump persegue com obsessão e campanha pública —, Corina chega à capital dos Estados Unidos em uma posição de submissão humilhante, declarando à Fox News o desejo de "compartilhar" ou até entregar seu troféu ao republicano em sinal de gratidão pelo sequestro de Nicolás Maduro.
Entretanto, a arrogância de Trump não se limita a aceitar a oferta "simbólica", que ele classificou como uma "grande honra". O presidente utilizou o momento para disparar novos ataques contra o comitê norueguês, chamando a decisão de premiar a venezuelana de "vergonhosa" e insinuando que ele próprio deveria ter recebido um prêmio para cada guerra que, segundo sua narrativa fantasiosa, teria encerrado. Enquanto Corina tenta bajular o ocupante da Casa Branca, o Instituto Nobel emitiu um comunicado contundente lembrando que a honraria é intransferível e permanente, frustrando o teatro político montado pela ex-deputada ultraliberal.
O que torna o encontro ainda mais irônico é o desprezo público que Donald Trump demonstra pela liderança de María Corina Machado. Apesar do Nobel, o norte-americano já declarou abertamente que ela não possui "o apoio nem o respeito" necessário para governar a Venezuela. Na contramão do que esperava a oposição de direita, Trump tem tecido elogios rasgados a Delcy Rodríguez, a vice de Maduro que assumiu a presidência interina com o aval das Forças Armadas venezuelanas. Para o republicano, Delcy é uma "pessoa incrível", com quem ele afirma estar trabalhando "muito bem" em acordos que envolvem, prioritariamente, o fluxo de petróleo para os EUA.
Essa aproximação pragmática entre Trump e a herdeira do chavismo revela que a soberania venezuelana foi substituída por uma administração de interesses comerciais diretos de Washington. Enquanto María Corina Machado se contenta com fotos e prêmios que o próprio Trump desqualifica, Delcy Rodríguez consolida seu poder interno sob a benção do "novo dono" da região. O governo Lula e líderes globais observam com cautela essa "lei da selva" onde presidentes são sequestrados e interinos são escolhidos por telefone conforme a conveniência de mercado do governo republicano.
A reunião de hoje servirá apenas para que Trump reafirme sua dominância sobre os destinos da América Latina. Ao ignorar Edmundo González, o vencedor legítimo das eleições de 2025, e preferir o diálogo com Delcy enquanto janta com uma Corina Machado "desarmada" de seu Nobel, Trump deixa claro que seu único compromisso é com o poder e a extração de recursos. A direita venezuelana, que outrora pedia intervenção, agora descobre que no mundo de Donald Trump não há aliados, apenas subalternos e parceiros de negócios que garantam o suprimento de combustível americano.
Com o Instituto Nobel reafirmando a integridade de seus processos contra as pressões da Casa Branca, resta saber como María Corina Machado lidará com a irrelevância política a que foi condenada pelo seu próprio "salvador". O espetáculo em Washington é a prova final de que a democracia na Venezuela foi rifada em troca de elogios em redes sociais e contratos de mineração. A reconstrução da ordem internacional parece cada vez mais distante enquanto a força bruta e o narcisismo definem quem senta à mesa do almoço mais caro da história venezuelana.
Com informações do DCM
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