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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro decidiu abrir uma nova frente de articulação política e emocional para tentar retirar Jair Bolsonaro da sede da Polícia Federal. Em uma audiência presencial com o ministro decano Gilmar Mendes, Michelle relatou um "drama particular" e apelou para que o STF reconsidere a manutenção do ex-presidente no regime fechado. A estratégia bolsonarista agora é clara: isolar o relator Alexandre de Moraes, buscando sensibilizar outros ministros da Corte que, nos bastidores, estariam demonstrando desconforto com o rigor das decisões que mantêm o ex-capitão atrás das grades.
A defesa sustenta que o estado de saúde de Bolsonaro é incompatível com o cárcere na Superintendência da PF. Desde que foi preso, o ex-presidente já passou por cirurgias para tratar uma hérnia inguinal e procedimentos para conter crises crônicas de soluço. Na última semana, um episódio de mal-estar seguido de queda na cela serviu de munição para os aliados alegarem que a integridade física do condenado está em risco. Entretanto, para Alexandre de Moraes, o histórico de Bolsonaro — que inclui a tentativa de queimar sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda enquanto estava em domiciliar — justifica a necessidade do regime fechado.
Bolsonaro cumpre uma sentença histórica de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. O fim do processo, decretado pelo STF em novembro, selou o destino do ex-presidente, mas a família insiste em apontar "perseguição" e sofrimento psicológico. Michelle busca agora a via da "sensibilização" humana de Gilmar Mendes para que este interceda junto a Moraes. Enquanto o clã tenta emplacar a narrativa de fragilidade, o Supremo mantém o foco na gravidade dos crimes cometidos contra a democracia e na violação sistemática das medidas restritivas que o próprio Bolsonaro protagonizou antes de ser encarcerado.
O desfecho dessa queda de braço entre a articulação de Michelle e a caneta de Moraes definirá o tom do STF para 2026. Se a Corte ceder ao apelo da ex-primeira-dama, abrirá um precedente que pode ser visto como fraqueza diante de quem desafiou as ordens judiciais com ferramentas de soldagem. Por outro lado, manter o ex-presidente sob custódia federal, mesmo com os relatos de quedas e problemas gástricos, reforça a tese de que a lei é igual para todos, independentemente do prestígio político ou do "drama particular" relatado nos tapetes verdes de Washington ou Brasília.
Com informações do G1
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