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O ex-presidente Michel Temer, uma das figuras centrais do golpe que retirou Dilma Rousseff do poder, não escondeu o incômodo com o banho de realidade que recebeu na Sapucaí. Durante o desfile histórico da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula, Temer foi retratado na comissão de frente em uma cena que simulava a usurpação da faixa presidencial, entregue logo em seguida ao palhaço que simbolizava Jair Bolsonaro. A encenação, que lavou a alma de milhões de brasileiros, atingiu em cheio o ego do emedebista, que agora tenta se defender atacando o governo federal.
Em nota oficial, Temer tentou adotar um tom diplomático ao dizer que a sátira faz parte do Carnaval, mas logo descambou para o rancor político. Ele reclamou que o enredo promove o que chamou de "ilusionismo" e lamentou que o atual governo esteja revertendo medidas que ele considera conquistas, mas que o povo sabe serem ataques aos direitos, como a reforma trabalhista e a da previdência. É a velha tática de quem defende a "Ponte para o Futuro" — que na verdade foi um abismo de desigualdade — e agora se sente isolado diante da reconstrução do país por Lula.
O incômodo de Temer é o retrato fiel de uma elite que não aceita o veredito das urnas e nem a memória popular. Ao criticar a "volta ao passado", ele ignora que o Brasil de hoje voltou a crescer com responsabilidade social, enterrando a agenda de retirada de direitos que ele e seus aliados bolsonaristas tentaram impor. Ver a retirada da faixa de Dilma sendo representada como um ato de entrega ao retrocesso bolsonarista feriu a imagem de "constitucionalista" que o ex-presidente tenta manter, expondo sua real colaboração para a ascensão da extrema-direita.
Mesmo afirmando que o samba é o espaço da fantasia, Temer não perdeu a oportunidade de alfinetar a escola, chamando a justa homenagem a Lula de "bajulação". A fala soa como inveja de quem jamais terá o carinho das massas ou o reconhecimento de uma escola de samba por sua trajetória. Enquanto o povo cantava a vida do operário que voltou ao Planalto para salvar a democracia, Temer se resumia a um personagem melancólico que a história já colocou no lugar que lhe cabe: o de facilitador de um período de trevas.
A nota de Temer também destilou o habitual discurso do mercado sobre "irresponsabilidade fiscal", uma tentativa desesperada de deslegitimar os avanços econômicos do governo Lula que incomodam quem prefere juros altos para poucos e fome para muitos. O ex-presidente parece não entender que o Carnaval é justamente o momento em que a crítica social se encontra com a verdade das ruas, e a Acadêmicos de Niterói fez o que a imprensa muitas vezes se omite em fazer: apontou os responsáveis pela destruição que o Brasil começou a superar.
No fim das contas, a reação de Michel Temer só comprova a eficácia do desfile. Se o objetivo da Acadêmicos de Niterói era mexer com as estruturas de quem feriu a democracia brasileira, a missão foi cumprida com louvor. Temer pode reclamar em colunas sociais e tentar defender suas reformas impopulares, mas a imagem dele entregando o país ao "Bozo" na maior vitrine cultural do mundo é o que ficará gravado na memória nacional como a síntese do seu legado sombrio.
Com informações do DCM
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