1075 visitas - Fonte: Folha
A abertura de investigações sobre as acusações do ex-ministro Sergio Moro será essencial não só para esclarecer as circunstâncias em que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir na sua área, mas também para entender por que Moro silenciou por tanto tempo diante dos abusos do chefe.
Ao justificar sua decisão de romper com o governo, Moro disse na sexta-feira (24) que Bolsonaro fazia pressões para que o diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, fosse substituído por alguém que lhe fornecesse informações sobre o andamento das investigações conduzidas pela instituição.
“O presidente me disse, mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja o diretor, seja superintendente”, afirmou o ex-juiz da Operação Lava Jato.
Moro afirmou que as pressões do presidente tiveram início no segundo semestre do ano passado, mas foi vago ao mencionar datas e episódios específicos. A demissão de Valeixo, consumada por Bolsonaro na sexta à revelia do ex-ministro, foi o motivo que ele apontou para a precipitação do seu rompimento.
Objetivamente, Moro citou quatro situações em que o presidente teria buscado interferir na PF: a troca do superintendente do Rio, em agosto do ano passado; uma primeira tentativa de substituir Valeixo, em setembro; novas gestões no Rio e em Pernambuco; e a ofensiva final contra o diretor-geral.
Se é difícil aceitar a ideia de que Moro possa ter demorado tanto tempo para entender o que Bolsonaro esperava dele e da polícia, as investigações que devem se iniciar em breve oferecem uma oportunidade para esclarecer também episódios que contrariam a narrativa feita pelo ex-ministro na sexta-feira.
Em julho do ano passado, a PF prendeu três aliados do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, em meio a uma investigação sobre o uso de candidaturas laranjas para desviar recursos dos cofres do PSL, o partido que Bolsonaro usou para se eleger em 2018 e com o qual rompeu depois.
O inquérito era conduzido sob sigilo, sob supervisão da Justiça Eleitoral de Minas Gerais, mas no dia seguinte o presidente disse que já sabia de tudo, graças a Moro. “Ele mandou a cópia do que foi investigado pela Polícia Federal para mim”, disse Bolsonaro, que estava em viagem à Arábia Saudita.
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