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Os subprocuradores-gerais da República do Conselho Superior do Ministério Público Federal impuseram nova derrota ao procurador-geral Augusto Aras, elegendo um adversário dele para o cargo de vice-presidente do colegiado. Com isso, ganha força a oposição a Aras dentro do órgão, responsável por analisar assuntos administrativos e temas como a renovação das forças-tarefas.
Eleito com seis votos, José Bonifácio Borges de Andrada chegou a ocupar a função de vice-procurador-geral da atual gestão, mas rompeu com Aras em março deste ano após desentendimentos na condução da PGR. O candidato de Aras, Alcides Martins, teve quatro votos. Houve ainda uma abstenção.
O resultado é uma demonstração de que Aras perdeu maioria dentro do colegiado. Bonifácio tem longa trajetória dentro da PGR e chegou a ser vice-procurador-geral na gestão de Rodrigo Janot. Sua candidatura aglutinou o apoio dos opositores a Aras, na primeira sessão do conselho superior com a nova configuração.
O Conselho Superior é o órgão máximo de deliberação da PGR. Analisa processos disciplinares, pedidos de procuradores para realização de cursos e mudanças de lotação, criação de unidades do MPF e outros assuntos de gestão. Também tem sido marcado por cobranças contra Aras, principalmente em seus embates contra a Lava-Jato.
Na semana passada, por exemplo, oito dos dez integrantes do Conselho Superior enviaram ofício a Aras solicitando que ele prorrogue as forças-tarefas da Lava-Jato de Curitiba e do Rio até que o conselho defina um modelo de transição para os grupos de combate à corrupção.
Como vice-presidente do conselho, Bonifácio conduz os trabalhos durante a ausência de Aras. Isso significa que um adversário direto seu poderá definir a pauta e as discussões do colegiado durante a ausência do procurador-geral da República.
- Quero me colocar inteiramente à disposição do conselho e de toda a classe. Pretendo servir a essa função, que é muito modesta, só é exercida excepcionalmente, mas queria me colocar à disposição de todos - afirmou Bonifácio.
RENOVAÇÃO DA FORÇA-TAREFA
Na sessão desta terça, Aras foi cobrado para pautar a votação do pedido de prorrogação da força-tarefa da Lava-Jato de Curitiba. Ele, entretanto, afirmou que marcaria uma sessão extraordinária do conselho para discutir esse tema posteriormente.
-- Oito colegas subscreveram um ofício pedindo a renovação da força-tarefa. Está na minha mão, nós temos prazo para deliberar, certamente o procurador-geral tem responsabilidade com os destinos da instituição tanto quanto Vossas Excelências -- afirmou aos colegas.
O prazo da força-tarefa de Curitiba vence no dia 10 de setembro, então o assunto tem que ser resolvido até essa data.
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