1765 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O espetáculo jurídico montado por Donald Trump para humilhar o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, teve seu primeiro ato oficial nesta segunda-feira (5), no Tribunal Federal de Manhattan. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados à corte para ouvir as acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas fabricadas pela Procuradoria-geral dos Estados Unidos. Diferente do isolamento pretendido pelo governo americano, Maduro contará com a defesa de advogados experientes, incluindo Barry Pollack, conhecido mundialmente por sua atuação no caso de Julian Assange, o que sinaliza uma batalha intensa contra as arbitrariedades de Washington.
A escolha de defensores ligados a casos de perseguição política internacional mostra que a resistência contra o arbítrio de Trump será técnica e política. Além de Pollack, o tribunal designou David Wikstrom para a fase inicial, um criminalista que já esteve envolvido em processos de grande repercussão. É irônico notar que Wikstrom defendeu o irmão de um ex-presidente hondurenho em caso similar, mas que acabou perdoado pelo próprio Trump — evidenciando que, na gestão republicana, a "justiça" é aplicada de forma seletiva para punir adversários e proteger aliados ideológicos.
Atualmente detidos no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, Maduro e Cilia Flores devem manter a dignidade e se declarar inocentes de todas as acusações. A expectativa é que o juiz, alinhado à pressão do governo, determine a prisão preventiva do casal. Para quem repudia o bolsonarismo e suas táticas de "lawfare", fica claro que o objetivo dos EUA não é um julgamento justo, mas a manutenção de um troféu político para alimentar o ego de Trump e satisfazer a extrema-direita que aplaude o desrespeito à soberania alheia.
O processo promete ser longo e desgastante, podendo levar mais de um ano apenas para a formação de um júri. Esse tempo será utilizado por Washington para tentar desidratar a imagem de Maduro enquanto mantém o controle sobre o território venezuelano. A presença de Cilia Flores no banco dos réus reforça a crueldade da operação, que não poupou sequer a família do líder venezuelano em uma clara tentativa de quebrar sua resistência moral e política através de tortura psicológica e isolamento.
A defesa de Maduro tem o desafio de enfrentar um sistema que já o condenou antes mesmo da primeira audiência. Ao associar Maduro ao narcoterrorismo sem apresentar provas isentas, os EUA repetem táticas de intervenção que o Brasil de Lula e as forças progressistas sempre denunciaram. O uso de armamento pesado nas acusações serve apenas para dar um tom de periculosidade a um processo que, no fundo, é movido por interesses geopolíticos e pela cobiça sobre os recursos naturais da Venezuela.
Enquanto a audiência inicial transcorre sob o olhar atento da imprensa internacional, a luta pela soberania venezuelana se transfere para as cortes de Nova York. A tentativa de Trump de transformar um sequestro militar em um processo criminal comum esbarra na tradição de resistência dos advogados de direitos humanos. O que se julga em Manhattan não são apenas crimes supostos, mas o direito de um país da América Latina existir sem a tutela e a bota de uma potência que se recusa a aceitar a independência de seus vizinhos.
Com informações do DCM
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.