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A narrativa de "narcoterrorismo" utilizada por Donald Trump para justificar o sequestro criminoso de Nicolás Maduro sofreu um golpe fatal em um tribunal de Nova York. O próprio Departamento de Justiça dos Estados Unidos foi obrigado a "ajustar" a peça acusatória, admitindo que o chamado Cartel dos Sóis não passa de uma construção retórica, uma espécie de "licença poética" das autoridades estadunidenses. Na prática, Washington aproveitou-se da simbologia de um sol presente nos uniformes dos generais venezuelanos para fabricar a existência de uma organização criminosa que a Promotoria agora confessa não conseguir provar.
A fragilidade da denúncia original de 2020 é gritante: de 32 referências diretas ao suposto cartel, o novo texto traz apenas duas citações vagas. Os promotores americanos, cientes de que precisam provar acusações "além de uma dúvida razoável", recuaram da tese de uma estrutura organizada para falar apenas em "cultura de corrupção". Esse recuo estratégico desmascara anos de propaganda imperialista que, com o auxílio da CIA e da DEA, inundou a mídia internacional com informações falsas para pavimentar o caminho para a agressão militar e o sequestro do líder venezuelano.

Enquanto o bolsonarismo no Brasil aplaude o xerifismo de Trump, os dados técnicos da própria agência antidrogas americana (DEA) contradizem a Casa Branca. Na Avaliação Anual da Ameaça das Drogas de 2025, a Venezuela sequer é citada como rota para os Estados Unidos, e o país não produz fentanil — a droga que realmente causa a crise de saúde em solo americano. A verdade inconveniente para Washington é que a cocaína destinada aos EUA parte majoritariamente da Colômbia via Equador, enquanto o Brasil, infelizmente, segue sendo rota para o mercado europeu, evidenciando que a perseguição a Maduro é puramente política.
Em sua última entrevista antes de ser capturado, Maduro já alertava para o fato de que a Venezuela é vítima do tráfico colombiano, controlado por capitais que não pertencem ao povo venezuelano. Diante do juiz Alvin Hellerstein, um magistrado de 92 anos, o presidente sequestrado manteve a altivez e declarou-se um "prisioneiro de guerra". Para os defensores da soberania, o julgamento em Nova York não passa de um tribunal de exceção, onde as normas do direito internacional são rasgadas para satisfazer a sanha predatória do governo Trump sobre os recursos da América Latina.
A admissão dos EUA sobre a inexistência do Cartel dos Sóis é uma vitória moral para aqueles que denunciam o uso do sistema judiciário como arma de guerra, o chamado lawfare. Ao transformar insígnias militares em prova de crime organizado, Washington subestimou a inteligência global e agora passa pelo vexame de ter que emendar seus próprios documentos oficiais. A tática de gangsterismo denunciada por analistas internacionais fica comprovada: sequestram primeiro para tentar inventar uma justificativa jurídica que pareça legítima depois, mesmo que ela se sustente apenas em metáforas vazias.
O desfecho desse processo será um marco para as relações internacionais e um alerta para o governo Lula sobre as táticas de desestabilização regional. Se os Estados Unidos podem fabricar um cartel para sequestrar um presidente, nenhuma nação com recursos naturais está segura sob a sombra de Donald Trump. O apoio de setores da imprensa brasileira a essa farsa revela o nível de submissão ao imperialismo, ignorando que a verdade sobre a produção de drogas na região aponta para aliados preferenciais de Washington, e não para o governo que eles tentam destruir a qualquer custo.
Com informações da Fórum
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