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A Polícia Civil de Santa Catarina desmantelou, na última quinta-feira, mais um braço da corrupção que assola as administrações catarinenses, redutos históricos da direita e do bolsonarismo. Na segunda fase da Operação Coleta Seletiva, o prefeito de Garopaba, Júnior Abreu (PP), foi preso preventivamente sob acusação de liderar esquemas fraudulentos em licitações e contratos públicos. Além do chefe do executivo, um servidor público e um empresário do setor de reciclagem também foram detidos, revelando a promiscuidade entre o poder público e o capital privado para desviar recursos que deveriam servir à população.
As ações ocorreram em cidades como Garopaba, Pescaria Brava, Laguna e Tubarão, resultando não apenas nas prisões, mas no afastamento de secretários municipais e no sequestro de cerca de R$ 1 milhão em bens e valores. Segundo as investigações conduzidas pelo delegado Bruno Fernandes, os crimes de corrupção ativa e passiva eram praticados desde 2016. Mesmo com a mudança de gestão em 2021, a estrutura criminosa permaneceu intacta sob o comando de Júnior Abreu, provando que certos grupos políticos tratam o Estado como um balcão de negócios particulares.
O foco principal do esquema era o setor de coleta de lixo, uma área que movimenta cifras milionárias e que tem sido o epicentro de diversos escândalos de corrupção em Santa Catarina. O caso de Júnior Abreu é apenas a ponta do iceberg de um fenômeno alarmante: o estado atingiu a vergonhosa marca de 29 prefeitos presos por corrupção e fraudes administrativas em apenas cinco anos. Essa lista de detidos é dominada por partidos como MDB, PP e o PL de Jair Bolsonaro, evidenciando uma prática sistemática de mau uso do dinheiro público por parte dessas legendas.
Muitos desses prefeitos, mesmo após serem alvos de operações pesadas como a Et Pater Filium e a Mensageiro, tiveram o desplante de disputar as eleições de 2024. O próprio Júnior Abreu foi reeleito enquanto o esquema de lixo operava nos bastidores, assim como Patrick Corrêa (Imaruí) e Marcelo Baldissera (Ipira), que também foram reconduzidos aos cargos mesmo após passagens pelo sistema prisional. Essa reiteração no poder, sob a bandeira do falso moralismo, mostra o nível de aparelhamento das prefeituras catarinenses por figuras que desprezam a ética republicana.
A Operação Mensageiro, que sozinha prendeu 17 prefeitos entre 2022 e 2024, já havia jogado luz sobre como grandes empresas de resíduos compram agentes políticos para garantir contratos superfaturados. Agora, com a nova fase da Coleta Seletiva, fica claro que a "limpeza" nas administrações catarinenses está longe de terminar. A justiça eleitoral permitiu que nomes como Joares Ponticelli e Ari Bagúio participassem do último pleito, o que reforça a necessidade de uma vigilância popular constante contra aqueles que utilizam a máquina pública para enriquecimento ilícito.
Enquanto o Brasil busca um caminho de desenvolvimento e justiça social, Santa Catarina se vê mergulhada em um lamaçal de prefeitos presos que, em sua maioria, ostentam discursos de ordem enquanto praticam crimes contra o erário. O bloqueio de bens e as prisões efetuadas em Garopaba são passos fundamentais para que o patrimônio público seja devolvido ao povo. A sociedade catarinense precisa acordar para o fato de que o discurso conservador tem servido, muitas vezes, apenas como cortina de fumaça para a impunidade e o roubo descarado de impostos.
Com informações do DCM
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