2278 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O presidente Donald Trump subiu o tom da sua retórica intervencionista ao anunciar, em entrevista à Fox News, que os Estados Unidos estão prontos para iniciar operações militares terrestres em território mexicano. Sob a justificativa de combater os cartéis de drogas, que ele afirma controlarem o país vizinho, Trump sinaliza uma expansão perigosa de sua política de força na América Latina. Essa movimentação ocorre logo após a captura violenta de Nicolás Maduro, consolidando um cenário onde a soberania das nações latino-americanas é tratada como um detalhe irrelevante diante dos interesses de Washington e do seu projeto de controle regional.
A resposta da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, foi imediata e contundente em defesa da autodeterminação dos povos. Sheinbaum rejeitou categoricamente qualquer ajuda militar estrangeira, afirmando que "a América não pertence a nenhuma potência" e sim aos povos que a compõem. Em uma demonstração de liderança regional, a presidente do México anunciou que está coordenando uma resposta conjunta com o presidente Lula, Gustavo Petro e outros líderes progressistas para barrar o avanço do autoritarismo estadunidense e preservar a estabilidade democrática do continente contra as garras do "trumpismo".
Paralelamente à ameaça contra o México, Trump agendou uma reunião na Casa Branca com María Corina Machado, a líder da oposição venezuelana que recentemente conquistou o Prêmio Nobel da Paz. O encontro é cercado de ironia e hipocrisia, já que Trump — que cobiça o prêmio para si — chegou a desprezar a legitimidade de Machado logo após a queda de Maduro. Agora, ele busca usar a imagem da opositora para validar a ocupação americana na Venezuela, enquanto ignora a presidente interina Delcy Rodríguez, a quem utiliza apenas como peão para garantir o fluxo de petróleo barato para as petroleiras dos EUA.
O cinismo de Trump ficou evidente quando ele comentou a possibilidade de receber um Prêmio Nobel das mãos de Machado, classificando a ideia como uma "grande honra". Enquanto alimenta seu ego com promessas de láureas internacionais, o republicano ignora as críticas da comunidade global sobre o atropelo das leis internacionais. O México, por sua vez, reforça que intervenções militares nunca trouxeram democracia real, servindo apenas para instaurar o caos e garantir o acesso das potências centrais aos recursos naturais dos países invadidos, exatamente o que se desenha na nova ordem "trumpista".
Nos bastidores, a cooperação de inteligência entre México e EUA continua, mas o abismo diplomático criado pela soberba de Trump ameaça décadas de relações bilaterais. Com mais de 3.000 quilômetros de fronteira compartilhada, a ideia de uma incursão terrestre gera pânico em especialistas de direitos humanos, que preveem um banho de sangue em solo mexicano. A estratégia de Trump de rotular cartéis como terroristas serve como um cheque em branco para ataques indiscriminados que, na prática, visam apenas fortalecer sua base eleitoral racista e xenófoba às vésperas de novos pleitos.
Enquanto a direita comemora o avanço militar, as democracias da América Latina se unem em um comunicado conjunto para denunciar a tentativa de controle continental. A resistência liderada por México, Brasil e Colômbia tenta mostrar que o continente não aceitará passivamente o retorno da Doutrina Monroe em sua versão mais agressiva. O cenário é de alerta máximo: entre reuniões na Casa Branca e ameaças de invasão, Donald Trump deixa claro que não reconhece limites para seu poder, transformando a região em um tabuleiro de xadrez onde os povos latinos são as principais vítimas de sua ambição desenfreada.
Assista ao vídeo:
?? Trump says the US will be conducting land strikes against the cartels. "We are gonna start now hitting land, with regard to the cartels. The cartels are running Mexico." pic.twitter.com/63sOf5NWIy
— Breaking911 (@Breaking911) January 9, 2026