3868 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tornou-se o centro de uma intensa disputa estratégica dentro do Partido dos Trabalhadores para as eleições de 2026. Embora o presidente Lula prefira ver seu fiel aliado consolidando uma vaga no Senado — para atuar como um contraponto intelectual e técnico à bancada bolsonarista que ameaça o Congresso em 2027 —, a cúpula do PT aumentou a pressão para que Haddad dispute o Governo de São Paulo. A mudança de planos ocorre diante da consolidação de Geraldo Alckmin na chapa presidencial, deixando o partido sem um nome de peso para enfrentar a máquina estadual hoje sob controle da extrema-direita.
Para os dirigentes petistas, Haddad é o único quadro capaz de montar um palanque robusto no maior colégio eleitoral do Brasil, garantindo a infraestrutura necessária para a reeleição de Lula. Sem a candidatura de Alckmin ao estado, o vácuo de liderança em São Paulo preocupa o partido, que não quer deixar o caminho livre para Tarcísio de Freitas consolidar seu projeto político. Na visão de aliados, mesmo que Haddad não vença a eleição estadual, sua presença na disputa é fundamental para puxar votos e fortalecer a legenda em território paulista, garantindo-lhe um ministério de primeiro escalão em um eventual segundo mandato.
Apesar da pressão partidária, Haddad tem demonstrado resistência em entrar em uma nova corrida eleitoral. Em declarações recentes, o ministro afirmou que não possui intenção de ser candidato em 2026 e que seu desejo seria deixar o governo para colaborar com a campanha de Lula de forma externa. Relatos de interlocutores sugerem que o ministro está exausto após o desgaste natural de comandar a economia do país e gostaria de um período fora dos holofotes e da linha de frente administrativa. No entanto, a história política de Haddad mostra que ele raramente recusa missões dadas diretamente por Lula.
A resistência de Haddad também passa pela sua trajetória pessoal dentro do governo. Ele já havia sinalizado que aceitaria cargos de alta confiança, como a Fazenda ou a Casa Civil, mas não planejava retornar ao ministério após o atual ciclo. Caso aceite a missão em São Paulo, o ministro abriria mão da segurança de uma provável eleição ao Senado — onde o PT acredita que ele venceria com facilidade — para mergulhar em uma disputa incerta e polarizada contra o atual governador. Essa "missão de sacrifício" é vista por muitos como o preço necessário para blindar a candidatura presidencial das investidas bolsonaristas.
O dilema entre o Senado e o Governo de SP reflete a importância de Haddad no tabuleiro geopolítico do PT. Enquanto o Senado oferece uma vitrine de longo prazo para as teses econômicas do governo, o governo estadual é visto como a "trincheira" necessária para proteger o voto petista no Sudeste. Haddad sabe que, ao concorrer ao estado, seu protagonismo na campanha nacional seria diluído, mas a sobrevivência do projeto político de Lula em São Paulo pode depender exclusivamente da sua disposição em aceitar esse novo desafio eleitoral.
Até o momento, o martelo não foi batido, mas o movimento interno do PT é de quase consenso. A militância e a cúpula veem em Haddad a seriedade e o preparo técnico necessários para desmascarar a gestão de Tarcísio de Freitas. O destino do Ministro da Fazenda agora depende de uma conversa definitiva com o presidente Lula, que terá que decidir se mantém seu plano original de fortalecer o Senado ou se cede ao apelo do partido para enviar seu melhor soldado para a batalha mais difícil de 2026.
Com informações do DCM
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.