694 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O regime teocrático do Irã enfrenta sua maior ameaça em décadas com uma onda de protestos que já se espalhou por 25 das 31 províncias do país. O que começou como um grito de socorro contra o colapso econômico e a inflação galopante — que superou os 40% em dezembro — rapidamente se transformou em uma revolta política aberta contra o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Nas ruas de Teerã e outras grandes cidades, a multidão não apenas incendeia carros e prédios públicos, mas entoa slogans pedindo a destituição de Khamenei e o retorno da dinastia Pahlavi, desafiando abertamente as bases da Revolução Islâmica de 1979.
A resposta do governo iraniano tem sido marcada pelo autoritarismo e pela violência. Khamenei, em pronunciamento oficial, chamou seu próprio povo de "vândalos" e "sabotadores", acusando-os de destruir o país para agradar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para tentar conter a organização dos manifestantes, o regime ordenou um apagão nacional de internet e telefonia, transformando a última quarta-feira no dia mais sangrento do conflito, com registros de mortes que incluem até menores de idade. Relatos de organizações de direitos humanos indicam que o número de vítimas fatais já ultrapassa 60 pessoas, embora a censura estatal tente esconder a real dimensão da tragédia.
No cenário internacional, a crise no Irã reacendeu as tensões com Washington. Donald Trump subiu o tom e garantiu que os Estados Unidos "atingirão muito duramente" o Irã caso o regime continue assassinando manifestantes. A troca de acusações é feroz: Khamenei classificou Trump como "arrogante" e afirmou que as mãos do presidente americano estão manchadas com o sangue de iranianos devido aos bombardeios contra instalações nucleares realizados em 2025. Enquanto o governo iraniano tenta pintar os manifestantes como mercenários de Israel e dos EUA, a realidade nas ruas mostra um povo exausto pela miséria e pela falta de liberdades civis.
A repressão policial não parece intimidar os iranianos, que seguem ocupando as vias públicas mesmo sob a ameaça de prisão e morte. O presidente Masoud Pezeshkian, em uma tentativa isolada de diplomacia interna, pediu moderação e diálogo, mas sua voz parece ecoar no vazio diante da intransigência do líder supremo. A comparação com os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini, é inevitável, mas desta vez o componente econômico adiciona uma camada extra de desespero: com a moeda local (rial) valendo metade do que valia há um ano, a população sente que não tem mais nada a perder.
O isolamento digital imposto por Khamenei é uma tentativa desesperada de impedir que o mundo veja as imagens de prédios estatais sendo destruídos e bandeiras do regime sendo rasgadas por uma juventude que clama por mudança. A estratégia de atribuir a culpa a potências estrangeiras é um recurso antigo do regime para deslegitimar as reivindicações populares, mas a escala geográfica das manifestações sugere que a insatisfação é genuína e generalizada. O mundo observa com atenção enquanto as forças de segurança iranianas e os manifestantes travam o que muitos já chamam de "batalha final" pela alma do país.
O desfecho dessa crise permanece incerto, mas a postura beligerante de Donald Trump e a resistência inabalável do povo iraniano colocam o Oriente Médio em uma rota de colisão perigosa. Se o aiatolá cumprir a promessa de não recuar, o Irã poderá mergulhar em uma guerra civil ou em um conflito internacional de proporções imprevisíveis. Por ora, o que se vê é um regime que se sustenta pela força bruta, enquanto seus cidadãos, sufocados pela economia e pela repressão, queimam os símbolos de um poder que parece cada vez mais desconectado da realidade de sua própria gente.
Assista ao vídeo:
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— Negar (@Negaarsh) January 8, 2026