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Um episódio repugnante que escancara a persistência e a banalização do ódio fascista em nosso meio ocorreu em Mossoró, Rio Grande do Norte. Um adolescente de apenas 13 anos compareceu a uma festa de formatura vestindo um traje completo de inspiração nazista e foi flagrado em vídeos realizando a saudação braço estendido associada a Adolf Hitler. O caso, que gerou revolta nas redes sociais, está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA) local e serve como um alerta sombrio sobre como a ideologia nazista, criminosa por lei, encontra eco e é exibida com desenvoltura por jovens.
Os detalhes do ocorrido são ainda mais perturbadores. Conforme a organização do evento, a Master Produções e Eventos, o adolescente chegou ao local acompanhado dos pais, vestindo roupas comuns, e teria se trocado para o uniforme nazista já dentro da festa, sem o conhecimento da produção. Este modus operandi revela uma ação premeditada e consciente, não um "deslize" ou brincadeira de mau gosto. A empresa emitiu nota repudiando veementemente o ato, lembrando que a apologia ao nazismo é crime no Brasil, com pena de dois a cinco anos de reclusão. Por ser menor de idade, o caso é tratado como ato infracional análogo ao crime.
A Facene, instituição de ensino à qual pertenciam os formandos, também se manifestou, afirmando não ter participado da organização do baile – realizada por uma empresa privada – mas declarando o ocorrido como "repugnante" e uma afronta à dignidade humana e à memória das vítimas do Holocausto. A faculdade prometeu reforçar comunicações e revisar protocolos para evitar episódios semelhantes. No entanto, a pergunta que fica é mais profunda: de onde um adolescente de 13 anos tira a coragem – e o conhecimento – para se vestir com um uniforme nazista e sair fazendo saudação a Hitler em público? A resposta está no ambiente familiar e social que, ao invés de educar sobre os horrores do fascismo, normaliza, relativiza ou até incentiva seu simbolismo.
Este não é um caso isolado. Ele se soma a uma série de incidentes pelo país, como investigações da PF sobre apologia ao nazismo na Bahia e pichações de suásticas em universidades. O episódio da formatura é a face mais explícita de um problema estrutural: a herança tóxica do bolsonarismo, que durante anos flirtou com símbolos autoritários e minou a educação histórica, criou um caldo de cultura onde o nazismo pode ser visto como "polêmica", "opinião" ou "hobby", e não como a ideologia genocida que é. Combater isso exige mais que notas de repúdio; exige uma ofensiva educacional, cultural e legal implacável para extirpar essa semente de ódio antes que floresça em tragédias maiores. A memória dos milhões assassinados pelo nazismo exige que nenhuma saudação fascista passe em silêncio.
Com informações do jornal O Globo
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