1507 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O combate à corrupção no Maranhão sofreu um golpe devastador vindo de dentro da própria instituição. Dez promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) renunciaram coletivamente aos seus cargos neste domingo (11). O motivo da revolta foi a decisão da Procuradoria-Geral de Justiça de emitir um parecer favorável à soltura de investigados na Operação Tântalo II, que apura o desvio acachapante de R$ 56 milhões na prefeitura de Turilândia. Para os promotores, a cúpula do Ministério Público está "enfraquecendo a atuação institucional" ao atropelar um trabalho investigativo criterioso.
A operação, deflagrada em dezembro, havia levado à prisão o prefeito Paulo Curió (União Brasil) e outros 11 vereadores, após a Polícia Federal e o Gaeco encontrarem cerca de R$ 5 milhões em dinheiro vivo escondidos em endereços dos investigados. O grupo é suspeito de montar uma organização criminosa para saquear recursos das áreas de Saúde e Assistência Social por meio de empresas de fachada. Agora, com o parecer assinado pelo procurador Orfileno Bezerra Neto recomendando a liberdade dos políticos, o Gaeco afirma que a convergência mínima para trabalhar com a atual chefia foi rompida.


A renúncia em massa inclui o coordenador do grupo, Luiz Muniz Rocha Filho, e outros nove promotores de elite. No memorando de entrega dos cargos, eles destacam que a postura da Procuradoria destoa completamente das premissas legais que fundamentaram as prisões. Enquanto o Gaeco tenta manter atrás das grades quem foi flagrado com milhões em espécie, a chefia do MP-MA parece mais interessada em uma "dinâmica institucional" que, na prática, beneficia diretamente figuras poderosas do União Brasil e do cenário político estadual.
Em resposta ao racha, o procurador-geral Danilo José de Castro Ferreira tentou minimizar o episódio, classificando a saída dos dez promotores como "alterações naturais". No entanto, a nomeação imediata de uma nova liderança e equipe não apaga a mancha de que o órgão está sendo politizado para blindar prefeitos e legisladores. A Operação Tântalo II — nome que remete a punições por crimes de ganância — agora corre o risco de virar símbolo de impunidade, com os vereadores silenciando em audiências enquanto aguardam a liberdade garantida por quem deveria acusá-los.
A gravidade do desvio em Turilândia é alarmante: contratos milionários que deveriam levar dignidade à população foram convertidos em notas de cem guardadas em malas e cofres. O recuo da Procuradoria-Geral ignora a periculosidade do esquema e o risco de destruição de provas caso os investigados retornem aos seus postos. O racha no Ministério Público do Maranhão expõe uma ferida aberta sobre quem o órgão realmente protege: a sociedade ou os operadores de esquemas bilionários de corrupção.
Agora, o Tribunal de Justiça do Maranhão terá a palavra final sobre o futuro do prefeito e dos vereadores. A saída dos promotores do Gaeco deixa um vácuo técnico no caso e envia um sinal perigoso para outros prefeitos que também são alvo de investigações. Sem um órgão de combate ao crime organizado independente e com o apoio da sua própria chefia, o Maranhão arrisca ver o dinheiro público continuar escoando para o bolso de organizações criminosas instaladas dentro das prefeituras.
Com informações do DCM
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