Tratoraço na Assembleia Nacional: franceses reagem à assinatura iminente do pacto UE-Mercosul

Portal Plantão Brasil
13/1/2026 18:07

Tratoraço na Assembleia Nacional: franceses reagem à assinatura iminente do pacto UE-Mercosul

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Centenas de agricultores franceses, organizados pelo sindicato FNSEA e pelos Jovens Agricultores (JA), ocuparam as imediações da Assembleia Nacional e a avenida Champs-Élysées, em Paris, na manhã desta terça-feira (13). O protesto, que reuniu cerca de 500 tratores e centenas de manifestantes vindos de diversas regiões da França, é uma reação direta ao avanço diplomático liderado pelo presidente Lula, que deve culminar na assinatura do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia no próximo sábado (17).

A principal queixa dos produtores europeus é a competitividade dos produtos brasileiros, como carne bovina, aves e açúcar. Eles alegam que o tratado vai desestabilizar a agricultura local ao permitir a entrada de mercadorias mais baratas, o que expõe o receio da elite agrária francesa diante da eficiência do bloco sul-americano. Para tentar barrar a parceria, os manifestantes multiplicaram bloqueios em rodovias estratégicas, tentando pressionar o governo da França a recuar de um acordo que promete impulsionar a economia brasileira.

Além do temor comercial, os manifestantes protestam contra a gestão de crises sanitárias e climáticas que afetam o campo francês. Reivindicam melhores condições de trabalho e auxílio no combate a uma epidemia de dermatose bovina que atinge o sudoeste do país. A revolta demonstra que, enquanto o Brasil recupera sua força exportadora sob a gestão de Lula, os agricultores franceses se sentem acuados e incapazes de competir sem as barreiras protecionistas que o novo acordo pretende derrubar.

Um ponto curioso e polêmico das reivindicações envolve o conflito com a fauna local. Os agricultores exigem que o Estado francês autorize o abate em massa de lobos, alegando prejuízos aos rebanhos. Eles pedem o aumento da cota anual de caça e o envio de agentes estatais para eliminar os animais, transformando uma questão ambiental em moeda de troca política. A pauta evidencia o desgaste de uma categoria que, sem rumo, atira para todos os lados na tentativa de manter privilégios históricos.

O governo francês, liderado pelo primeiro-ministro Sébastien Lecornu, prometeu apresentar uma "lei de urgência" em março para tratar de temas como armazenamento de água para irrigação e o controle dos lobos. No entanto, o gabinete evitou dar garantias sobre o bloqueio do acordo com o Mercosul, sinalizando que a diplomacia internacional pode prevalecer sobre os protestos internos. O silêncio do governo francês sobre o pacto comercial durante as reuniões com os sindicatos aumenta a tensão nas ruas de Paris.

A mobilização francesa é o retrato de uma Europa que resiste à integração global por medo da força produtiva de países em desenvolvimento. Enquanto os tratores ocupam as margens do rio Sena, o governo brasileiro segue firme na articulação para consolidar o que pode ser o maior acordo econômico das últimas décadas. A vitória de Lula na mesa de negociações internacionais ecoa nas buzinas dos tratores franceses, que veem no fim do protecionismo o fim de uma era de privilégios isolados do mercado mundial.

Com informações do Terra

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