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A queda de braço diplomática entre o México e os Estados Unidos atingiu um novo patamar de tensão nesta quarta-feira (14). A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, enviou um carregamento de 85 mil barris de petróleo bruto para Cuba, ignorando solenemente as ameaças de Donald Trump. Com uma postura firme e soberana, Sheinbaum rebateu as críticas de Washington com uma declaração contundente: "Você não me diz para quem eu vendo meu petróleo". Para a mandatária, o recurso pertence ao povo mexicano e as decisões comerciais do país não aceitam vetos estrangeiros, especialmente da Casa Branca.
O carregamento, transportado pelo navio petroleiro Ocean Mariner, chegou a Havana em um momento crítico para a ilha caribenha, que enfrenta uma crise energética severa após a queda de Nicolás Maduro na Venezuela e a consequente interrupção do fornecimento venezuelano. Sob o governo Trump, os EUA têm aumentado a pressão para estrangular a economia cubana, mas encontraram na primeira mulher presidente do México uma barreira diplomática inesperada. Sheinbaum reafirmou que o México é uma nação livre e que manterá sua carteira de clientes de acordo com seus próprios interesses nacionais e obrigações humanitárias.
A reação de Donald Trump tem sido de fúria e ameaças de sanções comerciais, incluindo a imposição de tarifas sobre produtos mexicanos. No entanto, Sheinbaum não recuou e se ofereceu, inclusive, para mediar o diálogo entre Washington e Havana, desde que a soberania de todos os países seja respeitada. A postura da presidente mexicana é vista como um marco na política externa da região, sinalizando que a América Latina não aceitará passivamente o retorno de uma política de intervenção direta nos assuntos internos e comerciais de cada estado.
Enquanto o governo dos Estados Unidos tenta usar o petróleo como arma de chantagem política, o México demonstra que a integração regional e a solidariedade entre os povos latinos podem falar mais alto. O envio dos barris para Cuba não é apenas uma transação comercial, mas um ato político de resistência contra o isolacionismo e a truculência da era Trump. Para Sheinbaum, a dignidade do México não está à venda e o destino do petróleo mexicano será decidido na Cidade do México, e não nos salões de Washington ou em postagens de redes sociais.
A crise entre os dois maiores parceiros comerciais da América do Norte coloca em risco acordos importantes, mas Sheinbaum conta com o apoio popular e de setores estratégicos que defendem a autodeterminação dos povos. A presidente deixou claro que o México busca a cooperação, mas nunca a submissão. O mundo observa agora se Trump levará adiante suas ameaças de retaliação ou se terá que aceitar a nova realidade de um México que se recusa a ser um quintal administrativo dos Estados Unidos.
Veja:
México envió en buque a Cuba con 85.000 barriles de Crudo, y la presidenta Claudia Sheinbaum le dijo a Donald Trump: "Usted a mi no me dice a quien le vendo mi petróleo".
— Agencia El Vigía (@AgenciaElVigia) January 13, 2026
"El petróleo es de los mexicanos y para los mexicanos. Ni Estados Unidos ni ningún otro país tiene voto en… pic.twitter.com/stpvOwGejH