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A base aliada de Jair Bolsonaro no mundo evangélico amanheceu em pé de guerra nesta quarta-feira (14). O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, disparou críticas pesadas contra a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), chamando-a de "linguaruda" e "abusada". O motivo do embate é a denúncia feita por Damares na CPMI do INSS, onde ela afirmou que "grandes igrejas" e "pastores influentes" estariam envolvidos em um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias. Para Malafaia, a declaração sem a apresentação de nomes específicos é uma afronta generalizada que mancha a imagem do segmento evangélico.
O tom subiu rapidamente quando Malafaia desafiou a senadora a "dar o nome aos bois". Em tom de ameaça, o pastor afirmou que Damares precisa identificar quais são as lideranças que estariam operando as fraudes ou se calar. Segundo o religioso, fazer uma denúncia dessa gravidade de forma genérica é uma tática perigosa que atinge inocentes e serve de munição para os adversários do governo. Malafaia, que já teve desavenças com Damares no passado por questões eleitorais, agora a acusa de oportunismo ao usar a fé para sustentar uma narrativa de investigação sem provas imediatas.
A denúncia de Damares Alves, dada originalmente ao SBT News, mexeu em um vespeiro que envolve não apenas o setor religioso, mas também o financeiro. A senadora afirmou que a CPMI identificou igrejas sendo usadas como "captadoras" de aposentados para fraudes que incluem empréstimos consignados irregulares — mencionando, inclusive, que o escândalo vai muito além do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Damares relatou estar sofrendo pressão de comunidades religiosas para não "decepcionar os fiéis", mas garantiu que o relatório final, previsto para fevereiro, não poupará ninguém, independentemente da denominação ou poder político.
A briga expõe uma fratura profunda no bolsonarismo em pleno ano de 2026. Enquanto Malafaia atua como o principal "escudo" de Bolsonaro contra investigações judiciais, Damares parece ter decidido trilhar um caminho de "limpeza ética" dentro do seu próprio nicho para fortalecer sua imagem de parlamentar combatente. O problema é que, no processo, ela atingiu figuras que Malafaia considera intocáveis. A troca de farpas ocorre em um momento delicado, onde a direita tenta se organizar para enfrentar o favoritismo de Lula nas pesquisas eleitorais, e um racha entre o maior líder pentecostal do país e uma das senadoras mais populares da ala conservadora é o pior cenário para a oposição.
Especialistas apontam que o ataque de Malafaia pode ser uma tentativa de conter danos antes que o relatório da CPMI venha a público. Se nomes de grandes igrejas ligadas ao bolsonarismo aparecerem no esquema de roubo a aposentados, o impacto eleitoral pode ser devastador. Ao chamar Damares de "linguaruda", Malafaia tenta deslegitimar a senadora antes mesmo que ela apresente as provas. Por outro lado, a parlamentar insiste que "não tem mais caminho de volta" e que a investigação atingiu lugares que "jamais imaginavam", sinalizando que o escândalo do INSS pode ser o maior teste de fogo para a bancada evangélica na história recente.
O Palácio do Planalto observa o conflito de camarote, ciente de que a implosão ética do campo conservador facilita a narrativa de reconstrução moral proposta pelo governo Lula. Enquanto Malafaia e Damares se digladiam por nomes e provas, milhões de aposentados esperam por justiça. O desfecho dessa briga não definirá apenas o futuro político dos envolvidos, mas revelará o tamanho da podridão que se escondeu atrás de púlpitos e gabinetes nos últimos anos.
Com informações do DCM
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