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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula uma reunião de emergência dos líderes dos BRICS – bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – para discutir uma resposta coordenada às recentes medidas protecionistas impostas pelo governo norte-americano de Donald Trump. A proposta, que já recebeu apoio imediato de China e Rússia, prevê um encontro virtual ainda em setembro, com possibilidade de inclusão de novos membros do grupo ampliado.
A iniciativa surge como contraponto direto à decisão de Trump de impor tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros e de outras economias emergentes, medida que afeta especialmente setores como aço, aluminio e produtos agrícolas. Lula argumenta que a ação norte-americana viola regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e exige uma resposta conjunta dos países emergentes.
Além de discutir retalições comerciais, a reunião dos BRICS avaliará mecanismos para fortalecer o uso de moedas locais em transações entre os membros do bloco, reduzindo a dependência do dólar. Essa agenda tem sido uma prioridade da China, que busca ampliar a influência internacional do yuan, e do Brasil, interessado em diminuir custos de comércio exterior.
Analistas veem a movimentação como um teste à liderança global de Lula e à capacidade de articulação dos BRICS num contexto de crescente tensão comercial. O bloco, que representa mais de 40% da população mundial e cerca de 25% do PIB global, tem potencial para pressionar os EUA a rever suas políticas, mas enfrenta desafios internos devido às diferenças económicas e políticas entre seus membros.
A reunião também deverá abordar a inclusão de novos países no grupo, como Arábia Saudita, Irão e Etiópia, cuja adesão foi aprovada em janela de expansão recente. Para o Itamaraty, a ampliação fortalece o bloco como contrapeso à influência occidental nas finanças e governança globais.
Esta será a segunda vez que Lula convoca uma reunião emergencial dos BRICS desde o início do seu terceiro mandato. A primeira ocorreu em 2023, para discutir a crise alimentar global. Desta vez, o presidente brasileiro age com apoio especial da China, principal alvo das tarifas de Trump depois do Brasil.
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro já prepara um documento técnico com opções de retalições comerciais seletivas, caso a diplomacia não convença Trump a recuar. Especialistas alertam, porém, que uma guerra comercial aberta poderia prejudicar as exportações brasileiras no curto prazo.
A articulação de Lula reflecte uma estratégia de diversificar parcerias e fortalecer alianças Sul-Sul, num momento de incerteza na ordem global. Para o governo brasileiro, a resposta coletiva dos BRICS é crucial para demonstrar que os países em desenvolvimento não aceitarão passivamente medidas unilaterais que afectem suas economias.
Com informações da Bloomberg
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