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Na sessão desta quarta-feira (3) no Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa do general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ex-ministro da Defesa e réu no núcleo central da organização golpista de Jair Bolsonaro (PL), apresentou uma tese que soou como confissão indireta da intentona criminosa. O advogado Andrew Fernandes admitiu que havia um golpe em andamento, mas tentou isentar seu cliente dizendo que o militar teria atuado contra a conspiração, chegando até a “entregar a cabeça” do ex-presidente.
Na sustentação oral à Primeira Turma, Fernandes chamou de “prova dos 9” o fato de Nogueira ter sido alvo de ataques dentro da própria estrutura bolsonarista, usando isso como argumento para sustentar que ele não seria parte da organização criminosa. Segundo o advogado, integrantes do grupo golpista “lutavam para demover o general” do Ministério da Defesa.
Para reforçar a narrativa, Fernandes citou também pressões para afastar tanto Paulo Sérgio quanto o então comandante do Exército, general Freire Gomes, como indício de que ambos estariam em rota de colisão com o projeto golpista. “Se tentaram tirá-lo do cargo, como poderia fazer parte da organização?”, questionou.
A linha de defesa buscou inverter a acusação, apresentando o general como alguém que teria resistido aos planos de Bolsonaro. “Está provado e mais que provado que o general Paulo Sérgio é manifestamente inocente”, concluiu o advogado, em tom categórico.
O discurso, no entanto, escancarou a contradição central: ao admitir a existência da organização criminosa, a própria defesa reforça a gravidade da denúncia contra Bolsonaro e seus aliados. Ao tentar salvar um dos generais, a fala acabou servindo de confirmação indireta da intentona golpista que abalou o país em janeiro de 2023.
O julgamento segue com grande impacto político, expondo como parte da cúpula militar esteve envolvida ou, no mínimo, pressionada pelo projeto de ruptura institucional liderado por Bolsonaro e seu círculo mais próximo.
Com informações
Assista aos vídeos:
Andrew Fernandes, que faz a defesa do ex-ministro da Defesa de Bolsonaro, apresentou a "prova dos 9" de que ele é inocente dizendo que ""membros dessa organização criminosa estavam lutando para demover o general".https://t.co/2lDrbbhCxK
— Revista Fórum (@revistaforum) September 3, 2025
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