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O pensamento burocrático contra a Democracia
Hoje, encontrei um cara que sei que votou na Dilma e perguntei se ele iria na manifestação que vai acontecer à tarde. Ele perguntou que manifestação e eu disse que era contra o golpe. Ele ficou estarrecido e perguntou como eu podia apoiar o governo, que ele tinha votado na Dilma mas que não deu certo, que ela foi uma aposta errada do Lula, que ela era incompetente, etc. E eu respondi que prefiro esperar 2018 do que atropelar as regras democráticas.
O papo encerrou e fui almoçar pensando na mudança de atitude deste cara. Ele é um funcionário da administração e representa com perfeição aquela percentagem dos que nunca fazem greve e defendem os interesses do patrão e que caracterizam o pensamento burocrático disseminado no meio publico. Este tipo de pessoa acredita mesmo na ORDEM, detesta protestos, nunca comparecem a manifestações. Para estes, existe um caos administrativo, a abominação total.
Não quero tapar o sol com peneira e sei muito bem que existe situação de desgoverno. Mas a culpa é somente da presidenta?
Desde sua eleição, a Câmara e o Senado sabotaram quaisquer iniciativas de resolver os problemas econômicos, deixando de votar leis e projetos que permitiriam uma nova etapa de desenvolvimento, além de criar várias armadilhas nas pautas-bombas do Cunha et caterva, além do desmantelamento de diversos programas em andamento causados pela omissão do congresso.
E nem a escolha dos ministros, prerrogativa da presidenta, têm sido respeitada, com ações judiciais casuísticas e despropositais que impedem o país de funcionar a contento.
Cobrar da presidência mais governo nestas condições é muito cinismo.
Mas voltemos ao dilmista arrependido.
Mesmo que ele tenha razão em parte de sua revolta, fica óbvio sua limitação no sentido de avaliar o que significa esta ruptura com a ordem constitucional. Para ele, é simples a troca, é como se fosse um diretor por outro, tudo ficaria igual. Mas isto não é verdade!
Apesar de todas as criticas que se possa ter ao desempenho do governo, o fato é que as acusações usadas para fundamentar o pedido de impeachment são inconsistentes e, se levada como jurisprudência, inviabilizaria completamente a administração das cidades e estados, constituindo numa amarra insustentável. Além disso, as contas dos demais presidentes foram julgadas e aprovadas apesar de conterem os mesmos problemas.
Se o fato tem sido usado pelos perdedores da última eleição para tirar do poder alguém que conquistou 54 milhões de eleitores, há que se perguntar quem ganha com isto. Considerando que durante as eleições, Marina e Aécio representavam aqueles que eram contra as políticas econômicas anticíclicas e protecionistas adotadas por Dilma em seu primeiro mandato, fica evidente que os defensores do impeachment são favoráveis ao fim das políticas que caracterizaram o primeiro mandato.
Além disso, o novo congresso descobriu que tem poder suficiente para mudar completamente os planos presidenciais, abortando projetos de interesse público e implementando leis que descaracterizaram as boas práticas econômicas que estavam em vigor. E numa câmara de deputados onde o que falta é gente com cara de povo, as aspirações burguesas pelo fim da CLT e das conquistas trabalhistas só tem contraponto a partir do poder da presidenta.
Ao defenestrarem definitivamente a Dilma, não sobrará nada para impedir a sanha destes celerados.
E isto, este cara não entendeu...
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