A França, sob a gestão do primeiro-ministro Sébastien Lecornu, deu mais um passo em sua estratégia protecionista para sabotar o desenvolvimento da América do Sul. No último domingo (4), o governo francês anunciou a suspensão da importação de frutas do Mercosul, como abacates e maçãs, alegando a presença de resíduos de agrotóxicos proibidos na União Europeia. Essa medida, embora travestida de preocupação sanitária, é claramente uma manobra política para acalmar a pressão de agricultores franceses e colocar obstáculos no acordo comercial entre os blocos, ferindo a integração internacional que o governo Lula tem defendido arduamente.
Em uma carta aberta, Lecornu confirmou que portarias serão adotadas nesta semana para barrar produtos contendo cinco substâncias específicas, como o glufosinato e o carbendazim. O bloqueio afeta itens essenciais da nossa balança comercial, incluindo manga, goiaba, cítricos e uvas. Mais do que uma norma local, o premiê francês está pressionando para que a União Europeia replique essas restrições em todo o mercado comum, tentando isolar a produção sul-americana e punir os produtores que não se submetem às exigências unilaterais de Paris.
Essa postura reforça o papel da França como a principal opositora ao acordo tarifário com o Mercosul. Enquanto o presidente Lula trabalha para recolocar o Brasil no centro das decisões globais com altivez, a França utiliza salvaguardas sanitárias como arma política. No mês passado, Paris já havia articulado o adiamento da assinatura do acordo para janeiro, contando com o apoio da Itália, em uma tentativa clara de ganhar tempo e desidratar os avanços conquistados pela diplomacia brasileira e seus parceiros regionais.
O endurecimento dos controles nas fronteiras e dentro do território francês é uma afronta direta aos esforços de aproximação econômica. Lula, que chegou a aceitar o adiamento anterior após diálogos com líderes europeus, já sinalizou que o Brasil não aceitará novas postergações. A paciência da diplomacia brasileira com o jogo de cena europeu está chegando ao fim, e o país considera abandonar as negociações caso a França continue agindo para impedir a entrada em vigor de um acordo que é fundamental para o equilíbrio entre as nações.
O que se vê na prática é o uso da máquina estatal francesa para proteger interesses de grupos locais em detrimento de uma parceria global justa. Ao focar em substâncias como o mancozebe e o tiofanato-metílico, o governo de Lecornu ignora os protocolos de produção segura que o Mercosul segue, preferindo o caminho da retaliação comercial. É a velha tática de criar barreiras invisíveis para impedir que o Sul Global compita em pé de igualdade com as economias ricas, algo que o bolsonarismo aceitava com passividade, mas que o atual governo brasileiro repudia com firmeza.
A decisão francesa acirra os ânimos às vésperas de reuniões decisivas e coloca em xeque a credibilidade do Parlamento Europeu como mediador de acordos bilaterais. Enquanto o Brasil se consolida como potência exportadora e defensor do multilateralismo, a França se isola em um protecionismo arcaico. O desenlace dessa crise definirá se o comércio global será guiado por regras claras ou pelos caprichos de nações que ainda se veem no direito de ditar as normas do desenvolvimento alheio.
Com informações do DCM
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