22069 visitas - Fonte: The Intercept
PASSAVAM POUCOS MINUTOS das 19h de uma noite anormalmente quente em Curitiba quando a deputada federal eleita e ex-jornalista Joice Hasselmann, do PSL, caminhou sobre saltos-agulha rumo a uma tenda montada no pátio defronte ao Palácio Iguaçu, a modernista sede do governo do Paraná.
Metida num vestido preto de gala, com brincos, pulseira e anel de brilhantes, ela não ia sozinha. A seu lado, quase de braços dados e numa conversa ao pé do ouvido que transparecia alguma intimidade, vinha o juiz federal de segunda instância João Pedro Gebran Neto, famoso por ser o relator dos processos da operação Lava Jato na segunda instância, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
Ambos faziam parte da lista de 81 pessoas que seriam, dali a alguns instantes, premiadas com a Ordem do Pinheiro, uma medalha que o governo paranaense entrega anualmente a personalidades “indicadas pela sociedade civil que fazem a diferença no estado”, segundo o discurso oficial.
Lado a lado com o partido mais enrolado
Hasselmann, sentada na primeira fila com as pernas de lado, parecia pouco interessada no balanço de governo que Cida Borghetti fazia no palco – passou quase o tempo todo com a cara enfiada no celular, em que volta e meia digitava algo. O Twitter dela e, talvez, o grupo do PSL no WhatsApp, iam a todo vapor. Só ergueu a cabeça, sorrindo, quando Borghetti desejou “boa sorte ao nosso presidente Jair Messias Bolsonaro”.
Gebran Neto, responsável pela decisão que colocou Lula na cadeia, também não escondia a alegria. “Me sinto honrado. Sou curitibano, paranaense, e o fato de o governo estar homenageando seus cidadãos é motivo de muita alegria. Uma honra estar ao lado desses grandes paranaenses e uma alegria ver o reconhecimento do trabalho”, declarou. Com esposa e filhos a tiracolo, talvez nem tenha se lembrado de que o PP, partido da governadora e de Barros, é o mais enrolado na Lava Jato.
Ou que Joice Hasselmann, com quem entrou lado a lado na cerimônia, pouco antes defendera que Marco Aurélio Mello fosse “arrancado” do Supremo Tribunal Federal. O juiz da Lava Jato, homem discreto que jamais deu declarações polêmicas, aparentemente não viu problemas em fazer par com uma política que já dirigiu impropérios a figuras que ele julgou – cabe lembrar que foi Gebran, e não Moro, o responsável pela sentença que de fato levou Lula à prisão – e provavelmente voltará a julgar quando processos como o do sítio de Atibaia chegarem ao TRF4.
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