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O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, tornou-se o centro de um escândalo após a Polícia Federal apreender R$ 430 mil em dinheiro vivo em sua residência, em Brasília. A apreensão ocorreu em dezembro de 2025, no âmbito de uma investigação que apura desvios de verbas das cotas parlamentares através de empresas fantasmas de locação de veículos. Acuado, o parlamentar bolsonarista apresentou uma justificativa que levanta ainda mais suspeitas: afirmou que o montante era fruto da venda de uma casa em Minas Gerais, mas a documentação oficial só apareceu após a batida policial.
A cronologia dos fatos apresentada pela defesa do deputado é, no mínimo, curiosa. Segundo Sóstenes, a transação imobiliária teria sido fechada em novembro, mas a escritura só foi registrada em 30 de dezembro — exatamente 11 dias depois de a PF encontrar o dinheiro em seu armário. O comprador seria o advogado Thiago de Paula, que teria pago R$ 500 mil em espécie. Para o ministro Flávio Dino, relator do caso no STF, o parlamentar terá que explicar por que manteve quase meio milhão de reais em casa em vez de utilizar o sistema bancário, além das "peculiaridades" de uma escritura assinada sem o pagamento prévio de impostos.
A valorização do imóvel também chama a atenção dos investigadores. Sóstenes alegou ter comprado a casa por R$ 310 mil e vendido por R$ 500 mil pouco tempo depois, justificando o lucro com reformas. Outro detalhe que causa estranheza é o patrimônio declarado pelo deputado à Justiça Eleitoral em 2022, que era de apenas R$ 4.926,76. Para realizar o negócio, ele afirma ter feito um empréstimo consignado, mudando a versão sobre a finalidade da casa, que seria para um familiar que acabou se mudando para outra cidade.
Em uma tentativa de normalizar a situação, o líder do PL afirmou que o uso de "dinheiro vivo" é uma prática comum no interior para obter descontos, chegando a dizer que advogados da região costumam receber honorários em "cash". No entanto, a Polícia Federal investiga se esse valor é, na verdade, fruto de um esquema de corrupção envolvendo a contratação de serviços de fachada com dinheiro público. O deputado Carlos Jordy, outro expoente da extrema-direita, também foi alvo da mesma operação, reforçando a tese de um esquema estruturado dentro do partido.
A PF suspeita que empresas de fachada continuaram recebendo verba das cotas parlamentares mesmo após serem dissolvidas irregularmente, servindo como duto para o enriquecimento ilícito de parlamentares. O descaso com as normas fiscais na transação do imóvel — onde o comprador dispensou até certidões de antecedentes criminais do deputado — reforça o indício de uma operação montada às pressas para lavar o dinheiro apreendido. Sóstenes agora tenta convencer o STF de que a montanha de notas em sua casa não passa de um "negócio de oportunidade".
Enquanto a militância bolsonarista tenta abafar o caso, os documentos e a falta de lastro bancário para a movimentação financeira colocam o líder do PL em uma situação jurídica delicada. A investigação sobre o uso indevido de recursos públicos avança, e o "jeitinho" de formalizar vendas após a chegada da polícia dificilmente passará pelo crivo técnico da perícia financeira. O caso Sóstenes é mais um capítulo que expõe a face oculta do discurso de "moralidade" de quem hoje comanda a oposição no Congresso Nacional.
Com informações do DCM
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