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Embora crítico das pesquisas de opinião e entusiasta do que tem chamado de "datapovo", Jair Bolsonaro (PL) é atualmente o candidato que mais gastou com compra de levantamentos e testes eleitorais, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) atualizados até ontem (13).
O postulante à reeleição desembolsou R$ 2,2 milhões até o momento em duas aquisições.
Serviços contratados.
A principal fornecedora da campanha foi a Cota Pesquisas, com sede no Paraná, que cobrou R$ 1,7 milhão por "pesquisas de mercado e de opinião pública". A despesa foi registrada em 15 de agosto e é categorizada no TSE como "prestação de serviço de pesquisa de opinião pública".
Outro serviço foi prestado pelo Ibespe Estudos & Marketing, sediado em São Paulo, que realizou pesquisas eleitorais para a chapa do presidente, ao custo de R$ 500 mil. A despesa foi registrada em 28 de agosto.
Ao contrário das pesquisas contratadas por veículos de imprensa e por bancos, os levantamentos pagos pelas campanhas não são divulgados para o público. Eles são de consumo interno e servem para nortear as estratégias dos marqueteiros.
A prestação de contas organizada pelo TSE é feita com base em relatórios parciais, que são emitidos e contabilizados ao longo do processo eleitoral.
Até o momento, todos os gastos da campanha de Bolsonaro foram pagos com recursos do fundo partidário do PL e com doações de pessoas físicas. O candidato ainda não utilizou verba do fundo eleitoral.
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’Datapovo’.
Na tentativa de descredibilizar os dados coletados pelos institutos de pesquisa, estratégia que Bolsonaro utiliza desde 2018, apoiadores do presidente se apegam ao que o candidato tem chamado de "datapovo".
O termo foi cunhado para expressar o apoio popular em manifestações de rua, comícios e atividades de campanha do atual presidente.
Em grupos de WhatsApp e do Telegram, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo, eleitores e entusiastas da campanha bolsonarista tentaram instrumentalizar a celebração do 7/9 em alusão à figura do "datapovo" (um trocadilho com o nome do Datafolha).
O feriado, que marcou o bicentenário da Independência do Brasil, teve discursos do candidato à reeleição em Brasília e no Rio de Janeiro.
Registros das manifestações e a reprodução da fala de que a estimativa de público em Brasília teria sido de 1 milhão foram largamente usados para contrapor as pesquisas de intenção de voto ou para reafirmar que Bolsonaro será "reeleito no primeiro turno".
Entretanto, é impossível comparar uma pesquisa eleitoral com quantas pessoas vão a um ato. Enquanto a manifestação atrai apenas apoiadores, os levantamentos têm a intenção de entender como pensam todos os eleitores.
E o Datafolha?
Segundo a pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada em 10 de setembro, Bolsonaro passou de 32% para 34% das intenções de voto, mas ele continua atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 45%. A diferença de 11 pontos percentuais é a menor distância entre eles desde maio deste ano, quando o petista era o preferido de 48% dos eleitores, ante 27% do atual governante.
Já amostra do Ipec divulgada na segunda-feira (12) observou 15 pontos de vantagem do líder Lula no embate com Bolsonaro. O petista tem 46% das intenções de voto (dois pontos percentuais a mais do que na última amostra) e o atual presidente, 31%.
A reportagem do UOL entrou em contato com a campanha de Bolsonaro com um pedido de posicionamento. Não houve resposta até o momento.
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