DOCUMENTOS revelam que Adriano da Nóbrega tinha as contas pagas pela milícia

Portal Plantão Brasil
11/3/2020 10:52

DOCUMENTOS revelam que Adriano da Nóbrega tinha as contas pagas pela milícia

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1253 visitas - Fonte: Folha

O ex-policial militar Adriano da Nóbrega, chamado de herói pelo presidente Jair Bolsonaro e ligado ao gabinete de seu filho Flávio, tinha suas contas pessoais e de familiares pagas por membros de uma milícia, apontam documentos apreendidos pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.







O material usado como prova pela Promotoria foi recolhido em janeiro de 2019, quando foi deflagrada a Operação Os Intocáveis. Os documentos foram encontrados no escritório do homem apontado como responsável pelas finanças da quadrilha de Rio das Pedras, na zona oeste do Rio.



São faturas de cartão de crédito, boletos de contas de energia e recibos em nome de Adriano —também identificado como “Gordinho” nos documentos— e com referências à mulher do ex-PM, Julia Lotuffo.



O ex-capitão foi homenageado por Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e também defendido pelo presidente Jair Bolsonaro em 2005, quando ele ainda era deputado federal.







Adriano tinha até 2018 duas parentes no quadro de funcionários do antigo gabinete de Flávio na Assembleia do Rio. Ele controlava contas usadas para abastecer Fabrício Queiroz, amigo do presidente Bolsonaro e ex-assessor de Flávio suspeito de ser o operador da “rachadinha” investigada pelo Ministério Público do Rio. Nesse tipo de esquema, funcionários são coagidos a devolver parte de seus salários aos deputados.



As defesas de Adriano e de Flávio afirmam não haver provas de que o ex-PM integrava a milícia de Rio das Pedras, motivo pelo qual era procurado havia mais de um ano. Os autos da ação penal a que respondia, porém, mostram algumas das evidências recolhidas pelos investigadores.



As principais foram encontradas no escritório de Manoel de Brito Batista, o Cabelo, apontado como o administrador da milícia. Era ele quem controlava pagamentos e cuidava do dia a dia dos negócios explorados pela quadrilha.







No local, policiais encontraram uma conta de luz referente a um imóvel que Adriano declarou ser sua residência ao depor como testemunha, em 2018, no inquérito sobre a morte de Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes —não há nenhuma evidência sobre a atuação de Adriano na morte da vereadora.



A conta de luz estava em nome de outra pessoa, mas tinha a inscrição feita à mão indicando "Gordinho", apelido que o Ministério Público afirma ser usado pelos membros da milícia para se referir a Adriano.



O apelido também aparece escrito à mão em boletos de cartão de crédito em nome de outras pessoas encontrados no escritório de Manoel. Ele aparece ao lado da inscrição "Julia". Investigadores afirmam se tratar de Julia Lotuffo, mulher do ex-PM há cinco anos.



A Folha apurou que algumas empresas que aparecem na fatura do cartão de crédito foram notificadas para esclarecer quem foi o real cliente do serviço. As respostas indicam o próprio Adriano, Julia e a mãe do ex-PM, Raimunda Veras Magalhães, ex-assessora de Flávio Bolsonaro, reforçando serem contas pessoais do ex-capitão em nome de laranjas.



Um outro documento encontrado no escritório de Cabelo é ainda mais explícito ao apontar o vínculo entre o ex-capitão e a milícia. Trata-se de um recibo feito à mão por um vendedor de um terreno em Santa Cruz, outro bairro da zona oeste. Neste papel, datado de 2012, o nome do comprador aparece completo: “Adriano Magalhães da Nóbrega”.



Este recibo, para os responsáveis pela investigação, indica que o administrador da milícia cuidava de outros negócios de Adriano, e não apenas os relacionados com Rio das Pedras. Há ainda a suspeita de que o ex-capitão tivesse também se associado à milícia de Santa Cruz, que tem outros integrantes.







O ex-capitão também já havia respondido a uma ação penal por tentativa de homicídio contra o pecuarista Rogério Mesquita em meio a uma disputa entre bicheiros da capital. Embora preso duas vezes pelo crime, com base em diversos depoimentos que apontavam seu envolvimento, foi absolvido na Justiça porque as testemunhas não confirmaram à Justiça as versões que deram à polícia.



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